Jornalista cobra solução para Lagoa das Bateias em editorial

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Publicado por Editor | Colocado em Meio Ambiente, Vit. da Conquista | Data: 13 out 2016

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Editorial

Por Fábio Sena (Blog)

Não demora, como em Chico, todos verão emergir o monstro da Lagoa.

Não demora, como em Chico, todos verão emergir o monstro da Lagoa.

Senhor futuro prefeito da cidade de Vitória da Conquista, saudações!

Embora regido pelo elemento terra – já que capricorniano –, é pela água que me dirijo a vossas senhorias. Digo “vossas senhorias” porque, singularmente, há, nos dois, um prefeito em potencial. E essa prefeiturabilidade só se manifestará, plenamente, ali pelas ave-marias do dia 30. Por ora, vou no plural e, assim, alcanço a ambos. E, mesmo que um de vós assuma e outro, não, ainda assim, lá em Salvador, na Assembleia Legislativa, um de vós continuará lutando por Conquista… e pela Lagoa, quero crer.

Imagino que vossa Gusmânica pessoa, ou vossa Raimúndica personalidade estejam, nestora, imersas em compromissos mil, já que se avizinha a votação em segundo turno da eleição do novo prefeito de Vitória da Conquista, que será um de vós. Mas presumo que vossas senhorias – e vou aqui tascar um indubitavelmente – já disponham, em vossos programas de governo, de pronta resposta ao tema que ora vos submeto. Refiro-me à Lagoa das Bateias.

E assim é porque, no caso específico da proposta Gusmânica, temos a promessa de “realizar e executar um Projeto de Recuperação do Parque Urbano da Lagoa das Bateias, respeitando a Política Urbana existente na Constituição Federal e o Estatuto da Cidade.” Não sei, exatamente, qual a sutil diferença entre realizar e executar, mas isso é de pouco importância. Os engenheiros devem saber distinguir. O que, de fato, importa é que há no programa, pétrea, a promessa de recuperação da Lagoa, que é líquida (Valei-nos, Edgar Morin!.)

E é assim porque, no caso específico da proposta Raimúndica, embora não cite nominalmente a lagoa, compromete-se em “contribuir para garantir e utilizar de forma racional, integrada e sustentável os recursos hídricos disponíveis; e colaborar e viabilizar meios de preservação dos recursos hídricos, mediante a constituição de comitês de bacias e ações de preservação das nascentes de microbacias em nosso território”. Quero supor que, no meio de tantas palavras, alguma delas esteja se referindo à Lagoa.

Direta ou indiretamente, vossos programas contém promessas (compromissos) de, assumindo a Prefeitura, recuperar a Lagoa.

Alguém, lendo essas mal traçadas linhas, poderá dizer: “Ora, as prioridades de um novo governo, em face dos graves problemas que afetam a cidade, não devem abrigar a recuperação da Lagoa!”. Devem, sim! Devem porque é vital e porque é por ali que a cidade respira. Mas deve muito mais porque, ainda ontem, foi investida parcela considerável do orçamento público (forma eufêmica para “nosso dinheiro”) para sua recuperação, e, hoje, por descuidos mil, vemo-la abandonada. E porque, mais que uma causa ambiental, é uma causa moral.

À Lagoa não importa qual de vós vencerá. À Lagoa, pouco se lhe dá como lhe chamam, se de patrimônio ambiental ou tão somente lagoa. À Lagoa não importa se assume um governo alinhado com a direita foratemista ou se com a esquerda volverista. À Lagoa, pouco importa se, ganhando Herzém, entrem em cena alianças sejam com o DEM da Capital, sejam com o PMDB nacional. À Lagoa, não importa a ela saber se sua atual decrepitude resulta da insensibilidade de um prefeito que (valei-nos, Paulo Nunes) considera 20 anos muito pouco para governar uma cidade. À Lagoa não importa se, ganhando Herzém, entre em vigor um modo de conduzir a coisa pública sob a égide da livre concorrência e do Estado Mínimo. À Lagoa não interessa saber se, ganhando Zé, ganha numa atmosfera toda nublada, já que o partido dos trabalhadores anda esfarrapado, sugismundo e decadente. À Lagoa pouco importa se, ganhando Herzém, assume aquele que, de repente, deixa de ser pedra pra ser vidraça. Pouco importa se, saindo o PT, rompe-se um paradigma com mais de duas décadas de existência. Pouco importa se, saído o PT, sofram solução de continuidade projetos sociais que fizeram de Conquista uma vitrine. Pouco importa se, entrando o PDMB, nasça um “Primeiramente” municipal.

À Lagoa, senhores, não importa qual de vós vencerá. Ela não sabe o que significa “exonerações em massa no diário oficial”. Também não sabe o significado da sigla LRF; á Lagoa, pouco importa, por ora, a PEC do Teto (aliás, ali pertinho dela, o teto nem sempre é o mais formidável para pouso de aeronaves). O que importa a ela é que, se nada for feito nos próximos quatro anos, ela vai parir um ser pavoroso. E todos aqueles que estiverem vivos vão testemunhar, vão assistir, vão ver emergir o monstro na Lagoa. Um monstro chamado de “Furor Indignado”. Parindo fogo pelas ventas.

Um monstro com duas cabeças, uma pelo descaso de anos, outra, pela continuidade do descaso.

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