Juros do cartão de crédito e do cheque especial sobem em outubro e seguem acima de 300% ao ano

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Publicado por Editor | Colocado em Brasil, Economia | Data: 26 nov 2017

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da Redação
Fonte G1 / CDL (Conteúdo)

Informações foram divulgadas nesta sexta-feira pelo Banco Central

As taxas de juros médias cobradas no cartão de crédito rotativo e no cheque especial pelas instituições financeiras nas operações com pessoas físicas registraram alta em outubro deste ano e continuaram acima da marca de 300% ao ano, de acordo com informações divulgadas pelo Banco Central nesta sexta-feira (24).

Em outubro, os juros médios das operações com cartão de crédito somaram 337,9% ao ano, com aumento de 5,5 pontos percentuais em relação ao mês anterior (332,4% ao ano). Já a taxa média cobrada no cheque especial avançou de 321% ao ano, em setembro, para 323,7% ao ano em outubro – uma alta de 2,4 pontos percentuais.

O cartão de crédito rotativo e o cheque especial estão entre as linhas de crédito mais caras do mercado. segundo especialistas, elas só devem ser utilizadas em momentos de máxima emergência e por um prazo curtíssimo, já que os juros continuam em um patamar muito alto.

A recomendação é que os clientes bancários substituam essas modalidades por linhas mais baratas, como, por exemplo, o crédito consignado, em que as prestações do empréstimo são descontadas da folha de pagamentos.

Novas regras do cartão de crédito

Na tentativa de reduzir os juros do cartão, em março o governo anunciou novas regras, com vigência a partir do mês seguinte, em abril. Uma delas prevê que o rotativo só pode ser usado até o vencimento da fatura seguinte.

Com o novo formato, o consumidor só pode fazer o pagamento mínimo de 15% do cartão por um mês. Na fatura seguinte, o banco não pode mais rodar a dívida: o cliente paga o valor total ou precisa parcelar a dívida em outra linha de crédito, com o juro mais barato.

Juro bancário médio também sobe

De acordo com o Banco Central, os juros médios das operações de crédito com recursos livres (sem contar BNDES, crédito rural e imobiliário) atingiram 59,5% ao ano em outubro no caso dos empréstimos para pessoas físicas, uma alta de 0,3 ponto percentual na comparação com setembro.

Também avançou, em outubro, a taxa média de todas as operações (pessoas físicas e jurídicas), para 43,6% ao ano, contra 43,3% ao ano em setembro. No caso dos empréstimos para as empresas, também com recursos livres, a taxa somou 23,3% ao ano em outubro, com alta marginal de 0,1 ponto percentual na comparação com o mês anterior.

 A alta dos juros bancários em outubro acontece em momento de recuo da Selic, a taxa básica de juros da economia, fixada pelo Banco Central, que influencia a chamada “taxa de captação” dos bancos, ou seja, quanto eles pagam pelos recursos. Desde outubro do ano passado, a taxa Selic caiu 6,75 pontos percentuais, de 14,25% ao ano para 7,5% ao ano.

Apesar do aumento no mês passado, os números do BC mostram que as instituições financeiras repassaram toda a queda da taxa Selic, e ainda baixaram os juros um pouco mais. Desde outubro, a taxa cobrada das empresas caiu 7,1 pontos percentuais, a das pessoas físicas recuou 14,8 pontos percentuais e a taxa total (empresas e pessoas físicas) recuou 10,6 pontos percentuais.

‘Spread’ bancário

Como os juros bancários subiram em outubro, o chamado “spread bancário” (diferença entre o que os bancos pagam pelos recursos e o que cobram de seus clientes) também avançou no mês passado – apesar de ter recuado desde outubro de 2016.

No caso das operações com pessoas físicas, o “spread” subiu 0,3 ponto percentual em outubro, para 51 pontos. Desde outubro do ano passado, porém, caiu 11,2 pontos percentuais. Apesar da queda, esse índice ainda é elevado quando comparado à média praticada pelos bancos em outros países.

O “spread” é composto pelo lucro dos bancos, pela taxa de inadimplência, por custos administrativos, pelos depósitos compulsórios (que são mantidos no Banco Central) e pelos tributos cobrados pelo governo federal, entre outros.

Dados do BC mostram que os quatro maiores conglomerados bancários – Itaú-Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal – detinham, no fim de 2016, 78% de todas as operações de crédito feitas por instituições financeiras no país e também 76% dos depósitos.

 

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