Mães e Vidas

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 19 Maio 2018

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Por Valdir Barbosa

Desde o último final de semana, cujo domingo esteve dedicado por homenagear as mães, toda a imprensa, falada, escrita, televisada, redes sociais à mancheia alimentando manifestações divergentes de políticos, críticos e analistas do comportamento humano, têm voltadas atenções para o episódio da mãe policial, que na porta do colégio onde estuda a filha reagiu diante de agressão perpetrada contra diversas senhoras, postas no local junto a suas crias.

Indivíduo, acerca do qual se soube em seguida ter vasta folha de antecedentes criminais, empunhando perigosamente arma de fogo voltada na direção das vítimas, anuncia um assalto, por provável na intenção de tomar o maior numero de pertences, das pessoas que ali se achavam presentes.

Toda cena é registrada com nitidez, por câmera de segurança e suas imagens revelam a postura decidida da mulher. Ela saca pistola guardada na bolsa que trazia consigo e dispara algumas vezes contra o agressor que se prostra ao solo deixando cair atrás de si, o objeto beligerante, com uso do qual, segundos antes pretendia concluir a ação criminosa.

Usando técnicas de abordagem acertadas, a policial feminina fez com que o atingido fosse definitivamente imobilizado cessando assim o risco iminente. Não se pode falar em excesso, desde quando a reação foi compatível com a ameaça, inclusive, depois que ele desabou, não foi feito mais nenhum disparo em sua direção. Socorrido, a  caminho do hospital vem a óbito.

Enfim, suportada na prerrogativa concedida pela lei, ao cidadão em geral e ao preposto em particular há de dizer, tudo aconteceu dentro do correto. Decerto, pudesse ter tido o assaltante, oportunidade de alvejar a oponente arriscando atingir crianças e mulheres indefesas, não pestanejaria neste sentido.

Entretanto, personalidades radicais que na atualidade buscam holofotes, capazes de lhes fazer notados, se colocam em diversas mídias e tribunas várias, no afã de desqualificar o procedimento justo, da profissional que agiu em nome da legítima defesa sua e de terceiros.

Invertendo valores, tais figuras pretendem transformar o algoz em coitado e a ofendida – desde quando tudo começou de grave ofensa contra si e as demais – numa personagem arbitrária, da maneira como tem ocorrido em vários casos recentes residindo nesta postura, um tremendo absurdo, posto fator estimulante para o aumento da violência, na esteira da impunidade e apologia ao crime.

Evidentemente, se por um lado inaceitável não se considere o cunho irretocável do procedimento adotado pela representante da lei, ali na condição de mãe que saiu em defesa de outras mães, também imponderável se decida comemorar a morte de um jovem, mesmo tenha ele decidido enveredar pelo caminho tortuoso da delinquência conduzindo-o ao final trágico.

Ademais entendo, as homenagens pela bravura, por conta da atitude destemida daquela militar deveria ser um procedimento intra corporis, mesmo porque, o nível de exposição ao qual foi ela submetida nos tributos, impõe riscos que não são inerentes à sua própria função.

Ao cumprir o papel cidadão atuando com destemor, na defesa do bem comum e de seu próprio bem, fez-se dignificada com a maior comenda que pode ser conferida a cada um de nós, medalha que não desgruda do peito, forjada com material da consciência do dever cumprido e pintada nas cores da convicção de ter feito certo.

Induvidosamente, a sociedade não pode exultar com heróis cunhados no leito caudaloso da miséria humana, assim como não deve aceitar a hipocrisia daqueles que buscam fazer dos miseráveis, bandeiras desfraldadas em favor de seus podres ideais em desatino.

Nada obsta viver sonhos, mesmo em momentos difíceis inexiste erro em realizar utopias, até porque, como disse o poeta, a utopia é como a linha do horizonte, lhe faz seguir sempre em frente no objetivo de alcançá-la, destarte, alimento uma quimera, nesta tarde outonal, ao escrever estas considerações. Que bom, se neste mundo, sobretudo, em nosso país adorado, mães existissem, apenas para dar a vida.

Salvador, 16 de maio de 2018

valdir barbosa

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