Médicos não sabem diagnosticar Guillain-Barré, diz especialista da UFF

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Publicado por Editor | Colocado em Brasil | Data: 09 fev 2016

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Globo. com

Por Ana Lúcia Azevedo
UFFOsvaldo Nascimento, professor titular de neurologia da Universidade Federal Fluminense

RIO — Especialista em síndrome de Guillain-Barré, o professor titular de neurologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) Osvaldo Nascimento está preocupado com o diagnóstico da doença à medida que avança a epidemia de zika. Nascimento, cuja equipe já atendeu a 16 pacientes com a síndrome associada à infecção pelo zika só em janeiro, diz que o diagnóstico é complexo, e muitos médicos não sabem identificar corretamente todas as variantes.

— A polirradiculoneuropatia ou síndrome de Guillain-Barré recebeu nova classificação. E muitos médicos têm dificuldade de reconhecer todas as suas manifestações clínicas. Isso é muito grave no momento em que surgem casos associados ao zika. Temos visto um maior número de pacientes com esse quadro e alguns apresentam complicações mais severas que o quadro clássico — afirma Nascimento, que é presidente da Associação de Neurologia do Estado do Rio (Anerj)

É o caso do professor de química Jonas Antônio Ávila França Júnior. Aos 33 anos, ele está internado na UTI do Hospital Universitário Antônio Pedro, da UFF, em Niterói. Jonas manifestou os sintomas de Guillain-Barré poucos dias após apresentar um quadro de zika, no início de janeiro. Paralisado, ele movimenta apenas os olhos e respira com a ajuda de aparelhos.

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— O caso dele mostra comprometimento do sistema nervoso central. Temos que investigar se há relação entre zika e casos assim — diz Nascimento.

A partir do dia 15, a Anerj vai oferecer aos médicos em seu site (www.anerj.org.br) mais informações sobre o problema e uma via de esclarecimento por e-mail (anerj@anerj.org.br).

— O diagnóstico preciso é essencial, porque a doença evolui depressa — observa o médico.

A síndrome de Guillain-Barré costuma começar com sensação de dormência, formigamento ou agulhadas nos pés. A pessoa sente fraqueza.

—Isso pode durar um dia, o tempo varia. Mas, em geral, depois a síndrome acomete os braços e chega à face. A pessoa passa a não conseguir fechar os olhos direito. Ela também perde os reflexos profundos. Se tocarmos no joelho, no teste clássico, ela não responde — diz Nascimento.

Nos casos severos, a síndrome causa problemas renais, respiratórios e cardíacos. E pode chegar a provocar encefalite, quando acomete o sistema nervoso central. Embora provoque paralisia, Guillain-Barré também pode vir acompanhada de dores intensas.

— É uma doença muito séria e esses pacientes precisam ser logo atendidos. Isso faz diferença no risco de morte e de sequelas e na recuperação. E quanto mais rápido for o avanço dos sintomas, pior o prognóstico — diz o neurologista.

Ele frisa que a suspeita de que o zika possa provocar casos de Guillain-Barré torna urgente a melhora no diagnóstico e no atendimento:

— Infelizmente, não é isso que temos visto.

No dia 20, especialistas se reunirão em Natal para discutir a nova classificação da doença.

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