Na rede particular, até pais bons pagadores devem escola dos filhos

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Publicado por Roberto Silva | Colocado em Brasil, Economia | Data: 14 jun 2015

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 Tribuna da Bahia

inadimplenciaO ano passado foi difícil para a rede de ensino particular e, com a crise econômica que vêm se agravando e atingindo diversos setores do país, o ano de 2015 preocupa ainda mais. De acordo com Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (Sinepe-BA), a inadimplência já cresceu significativamente neste primeiro semestre. Apesar disso, a grande preocupação é em relação aos pais com um histórico de bom pagador: eles estão com dificuldades para manter as mensalidades em dias.

Segundo Jame David, porta-voz do Sinepe-BA, o setor fechou 2014 com um índice de inadimplência superior a 6%, uma porcentagem considerada alta para final de ano. “Isso sem contar com os atrasos, que já é outra situação. Não temos dados concretos, mas essa inadimplência cresceu muito pelas queixas das escolas a partir de março”, explicou.

É considerado descumprimento de contrato situações de atraso com mais de 90 dias. Apesar desse problema com os pais inadimplentes, quem tem preocupado as escolas são os pais que costumam pagar a mensalidade regularmente. Jame David atribui o atraso no pagamento ao impacto da crise financeira.

“Hoje, a maior preocupação das escolas é com pais que já têm um histórico, na empresa, de bom pagador. Pessoas que honram seus compromissos no dia-a-dia estão sofrendo perda de renda e perda de emprego. Com essa crise econômica que o país passa, com o aumento de desemprego, esses pais começaram a ter atrasos em suas mensalidades. Muitos deles já procura as escolas dizendo a realidade deles”, revelou.

Para evitar o acúmulo do débitos, profissionais da rede de ensino particular estão dispondo de diversas alternativas para sanar às dívidas. Até troca de serviço vale para que esses pais não tornem-se inadimplentes. “A cada ano que passa as escolas têm ampliado os canais e formas de negociação. Hoje, a depender do pai, a escola permite que ele forneça seus serviços como forma de pagamento da mensalidade. E, assim, poder cumprir seus custos, pagar salários em dias, pagar os prestadores de serviço, água, luz, telefone, internet e material pedagógico”, esclarece David.

Apesar das inúmeras tentativas de acordo, existem ainda aqueles indivíduos que tentam burlar descaradamente os contratos, deixando que crianças desfrutem de um ano inteiro de estudos para que, no próximo ano, sejam transferidos para outro estabelecimento de ensino particular, sem pagar nenhuma mensalidade.

“Eles procuram se utilizar de determinadas brechas para se beneficiar e não pagar escola em momento nenhum. Esses pais tendem a tirar a criança, e matricular em outra escola. Isso também é um sintoma de deseducação do próprio filho. Você tem uma sociedade em que o pai não cumpre as obrigações, que exemplo é esse que ele está passando para os filhos?”, questiona, ressaltando que o aluno é prejudicado quando fica migrando de estabelecimento em estabelecimento.

Coibindo inadimplência 

Para impedir que inadimplentescontinuem descumprindo contratos, muitas escolas não hesitam em consultar aos órgãos de proteção ao crédito (SPC e SERASA) pra identificar se a pessoa têm um histórico de dívidas na praça. Caso identifique que é um indivíduo que não honra seus compromissos, a matrícula não é realizada.

“Ver análise de crédito dele, saber se aquela renda comporta o pagamento daquela mensalidade. Isso tudo a escola tem feito. A lei diz que ninguém está obrigado a contratar com quem não lhe possa arcar com os custos. É um contrato bilateral e oneroso, então eu não estou obrigado contratar com quem não possa arcar com aquele custo de serviços. Quando em casos que já passou um período na escola, ela vai exigir esse pagamento através de ações judiciais. Nossa necessidade é de diminuir essa inadimplência e coibir abusos”, explica o porta-voz do Sinepe-BA.

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