O custo do pacto feito com o diabo

0

Publicado por Editor | Colocado em Política | Data: 29 jul 2013

Tags:, ,

Por Antonio Imbassay

ImbassahyPesquisas recentes, realizadas de 7 a 10 de julho nas cinco regiões do país, apontam que em 30 dias as intenções de voto na reeleição de Dilma Roussef caíram 19 pontos. Ou seja, caso as eleições acontecessem agora ela teria 33,4% dos votos. A avaliação negativa da presidenta subiu de 9 para 29 %, e a popularidade do governo caiu 22,9 pontos. Esses números refletem o descontentamento explícito nas ruas, em junho. Descontentamento que vai muito além, têm outros significados e não será calado ou satisfeito por armadilhas de plebiscitos, com reformas políticas que só visam a favorecer os que se aboletaram nos gabinetes do poder, tampouco com a contratação de médicos estrangeiros na ilusão de que, apenas com eles, resolveremos os graves problemas de nossa saúde pública.

Verdadeiros fossem os propósitos da presidente e do grupo que a arrodeia, as transformações já teriam começado com o enxugamento da máquina de governo, exemplos de austeridade e cortes de gastos públicos. Mas, ora, isso nem se cogita, pois descontentaria a chamada ‘base de apoio’ político que alicerça os delírios petistas de perpetuação no poder. Por causa desses interesses ocultos e escusos, mantém-se uma estrutura ingovernável de 39 ministérios. A grande maioria desses ministros, que sequer sabemos declinar os nomes, jamais foram recebidos em audiência pela ‘chefe’.

O Brasil, que se coloca entre as principais economias do planeta, ocupa um comprometedor segundo lugar entre os países do mundo com mais ministérios, atrás apenas do Sri Lanka. Tancredo Neves projetou ter 21 ministérios, Itamar governou com 22 e no fim do governo FHC havia 24 pastas. Lula somou mais 11 e Dilma acrescentou outros quatro, alem de ambos terem criado 13 novas empresas. Bastam para os intentos eleitoreiros? Napoleão dizia que era impossível comandar com eficiência uma equipe com mais de sete membros. Parkinson ensina que se perde o controle de um grupo quando os membros que o integram passam de 22. Pois, estamos no chamado nível de ineficiência ministerial, ultrapassamos todos os limites. Mas, o ex-presidente Lula recentemente em Porto Alegre saiu em defesa dessa quantidade de pastas, ‘necessárias’, segundo ele. Justificativa mais realística talvez fosse, no entanto, a emblemática frase de Dilma, na Paraíba, de que para vencer eleições ‘a gente faz o diabo’; dito presidencial, aliás, que soou inspirado em outro mais remoto e ‘famoso’, de Paulo Maluf: ‘Em eleições, feio é perder’.

Dados oficiais mostram que as despesas anuais com os 39 ministérios da ‘república sindical-petista’ somam R$ 611 bilhões. Fora isso, nesse governo, os chamados ‘cargos de confiança’, ou cargos de livre nomeação à disposição do PT chegam a 22.417, recorde. Um desses cargos, pasmem, é o de ‘Chefe de Gabinete do Chefe de Gabinete’, está no DO da União. São as práticas administrativas petistas. Na Bahia, por exemplo, além da Casa Civil e da Procuradoria, que ostentam status de secretaria, o governo Jaques Wagner possui uma estrutura de 27 secretarias de estado, algumas com nomes e objetivos curiosos: a Secretaria Especial de Assuntos Internacionais e Agenda Bahia, a Secretaria Especial para Indústria Naval e Portuária, além de uma Secopa criada para abrigar e agradar companheiros.

Por essas e outras é que o crescimento das despesas do Governo Federal no primeiro semestre deste ano foi de 6,6% acima da inflação. Os gastos romperam a barreira do trilhão de reais, pela primeira vez na história. Isso com um ‘pibinho’ de crescimento abaixo dos 2 %; o país parou de crescer. Não faltam recursos. O cidadão brasileiro continua pagando uma das mais altas taxas de impostos do mundo, embora a qualidade dos serviços públicos oferecidos não correspondam à carga tributária. Assim, caso a presidente queira, de verdade, um pacto com a Nação, deve começar pelo enxugamento da máquina governamental. Isso, além de fazer sua gestão se aproximar da essencial racionalidade administrativa, também permitirá a redução de impostos e mais, disponibilizará uma significativa soma de recursos, o que tornará possível a urgente modernização da infraestrutura do país.

Os comentários estão encerrados.