“Pai, afaste de nós esse cálice-se(cale-se)”

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Publicado por Resenha Geral | Colocado em Brasil, Educação, Manifesto Popular, Política | Data: 07 out 2013

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Por Wilson Sousa

Protesto professoresEsta cena, entre tantas, faz parte um pouco, de tudo que foi capturado pelas lentes de fotógrafos pela ocasião dos protestos de Professores contrários ao Plano de Cargos e Salários “oferecido” pelo prefeito da cidade do Rio de Janeiro e que foi votado na primeira semana do mês de Outubro/2013. A cena torna-se estarrecedora, na medida em que se observa o grau de ferimento ao princípio democrático do direito. O direito de protestar passa pelo poder de indignar-se que por sua vez é contrário ao ser passivo, ao homem que traja de cordeiro ante as injustiças sociais.

Na cena em destaque o que aí se torna operante é o poder do Estado. Como que os profissionais da educação devem então posicionarem-se ante a força do Estado sem que se tornem classe dominada? Em quais fundamentos se assentam a força e o poder do estado? Segundo Pierre Clastres o Estado é o instrumento que permite à classe dominante exercer sua dominação violenta sobre as classes dominadas. A violência que parte do poder do estado contra a Educação não estão/são presentes somente em cenas como estas. A (vio)lentação está disfarçada entre tantos modos, tantos fazeres aparentemente inocentes que rondam todas as secretarias de educação. O Estado nunca conseguiu reunir em si forças suficientes para controlar, satisfatoriamente ou não, os conflitos sociais. É importante observar que os interesses do estado sempre jogaram e jogam a favor da classe dominante. E justamente quem está protestando não faz parte do círculo daqueles que lutam pela manutenção do status quo ou não são pertencentes à classe dominante. Segundo Lênin, o Estado é pensado para manter os interesses de uma classe burguesa, dominante e que teve suas bases herdadas das monarquias absolutistas feudais europeias, fácil perceber que o caráter dessas ações repressoras representam os ideais do Estado como órgão de submissão de uma classe por outra. Não é de interesse do Estado a manifestação da indignação em praças públicas. Marx ratifica tal posicionamento do Estado ao afirmar que este se constitui como órgão de dominação de classe.

Dominação, submissão e coerção, caracteres configurativos da força do Estado, operam de modos diversificados dentro da atual conjuntura política quando se trata da educação no Brasil. Planos de cargos parcialmente cumpridos. Direitos tolhidos, quando não retirados! A violentação por parte do estado se configura quando direitos conquistados são negados de diversas maneiras fazendo de vítimas muitos profissionais da educação. É necessário que os profissionais da educação se antenem para o fato de que mudanças e alterações estão sendo pensadas nos atuais planos de cargos e salários no intuito nunca de favorecimento da classe trabalhadora. Secretarias estaduais e municipais de educação representam não os interesses de uma classe. Elas são partes integrantes representativas do poder do Estado. Quem é, então, o Estado senão o Estado da classe mais poderosa, da classe economicamente dominante que, também graças a ele, se toma a classe politicamente dominante e adquire, assim, novos meios de oprimir e explorar a classe dominada, segundo Lênin?

Sabe-se que por todos os tempos a educação foi usada como aparelho ideológico do Estado. Como dispositivo de manuseio de suas propostas políticas, o Estado lançou (e lança) mão da educação para a partir dela fazer valer sua ideologia. E se toda ideologia é excludente? Nesse sentido, utilizar-se da educação como mecanismo de convencimento daquilo que o Estado pensa, torna-se perigoso pelo fato de o estado nunca ser representativo dos anseios dos que estão à margem do poder. A ele(o Estado), interessa o jogo do poder em seu favorecimento. Segundo Althusser o estado é mais que uma máquina de repressão que permite à classe dominante assegurar dominação sobre a classe operária num violento processo de extorsão.

Ir contra as barricadas, mostrar indignação, invadir plenários é parte ínfima do que representa toda a nossa insatisfação ante o descaso praticado contra a educação nesse país de injustos. Somos diariamente, sim, reprimidos, quando nossos direitos são cassados através de ações contra planos de cargos conquistados a duras penas e que a secretarias de educação no uso de suas manobras cassam nossos direitos. Levamos botinadas do poder do Estado todos os dias quando nos forçam a calar nossa voz ante ao não cumprimento do que se encontra nos planos de cargos e/ou quando são retirados sem maiores alegações. Os sprays de pimentas são arremessados contra nós todas as vezes que nossos olhares estão além do campo de visão daqueles que lutam para se manter no poder, pois esses possuem visões limitadas, são míopes no ato da percepção de que somente a educação é capaz de tirar esse país do atraso em que se encontra.

Enfim, a violentação por parte do Estado se intensifica a cada dia pela imposição da força, do poder e da coerção contra profissionais que se encontram diariamente em salas de aula doando de si na edificação da pátria Brasil que tem de ser ainda (re)inventada e sem uma educação séria, é impossível. Foi o Estado quem criou a divisão de classes, a subjugação, opressores e oprimidos. Prefiro assim, encerrar com um pensamento de Lênin: “O Estado, por conseguinte, não existiu sempre. Houve sociedades que passaram sem ele e que não tinham a menor noção de Estado nem de poder governamental.”

Não nos curvemos ante a ideia da governamentalidade!!

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