PF faz buscas na casa do ex-governador Jaques Wagner em investigação sobre superfaturamento na Arena Fonte Nova

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Publicado por Editor | Colocado em Bahia, Política | Data: 26 fev 2018

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G1 Bahia

Polícia Federal faz buscas no apartamento do ex-governador da Bahia e atual secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado da Bahia, Jaques Wagner (PT), no Corredor da Vitória, em Salvador, na manhã desta segunda-feira (26).

Os policiais chegaram ao condomínio Victory Tower no início da manhã. Por volta das 8h25, os agentes deixaram o local, com uma mochila e um malote.

A ação faz parte da Operação Cartão Vermelho, que apura irregularidades na contratação dos serviços de demolição, reconstrução e gestão da Arena Fonte Nova. No total, são cumpridos pela PF sete mandados de busca e apreensão.

A obra, segundo laudo da PF, foi superfaturada em valores que, corrigidos, podem chegar a mais de R$ 450 milhões, sendo grande parte desviada para o pagamento de propina e o financiamento de campanhas eleitorais.

A investigação aponta fraude em licitação, superfaturamento, desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. Conforme apurado durante as investigações, a licitação que culminou com a Parceria Público-Privada (PPP) foi direcionada para beneficiar o consórcio Fonte Nova Participações (FNP), formada pelas empresas Odebrecht e OAS.

O advogado de Wagner, Pablo Domingues, esteve no prédio, localizado no Corredor da Vitória, área nobre da capital baiana. Ele disse à reportagem da TV Bahia que ainda está apurando a situação e que foi surpreendido pela operação. O G1 falou com a assessoria da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e aguarda posicionamento.

O consórcio responsável pela Arena Fonte Nova informou que está colaborando com as autoridades e ficou de enviar um comunicado por e-mail.

Procurada pela reportagem, a assessoria do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia disse que está colhendo informações sobre o caso para, então, se posicionar a respeito do assunto.

Os mandados, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, são cumpridos pela Polícia Federal em órgãos públicos, empresas e endereços residenciais dos envolvidos no esquema criminoso, e têm por objetivo possibilitar a localização e a apreensão de provas complementares dos desvios nas contratações públicas, do pagamento de propinas e da lavagem de dinheiro. Os locais alvos de mandados não foram divulgados pela PF.

Wagner

Jaques Wagner foi governador da Bahia por dois mandatos consecutivos (2007-2014) e deputado federal por três mandatos.

No governo Dilma Rousseff, o petista foi ministro da Defesa (2014) e da Casa Civil (2015), como também chefe de gabinete da presidente (2016). No governo Lula, foi ministro do Trabalho (2003) e de Relações Institucionais (2005/6), além de ter chefiado o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (2004).

Em novembro de 2016, meses após o afastamento de Dilma Rousseff da Presidência, após a abertura de processo de impeachment, Wagner voltou a um cargo no âmbito da gestão estadual da Bahia como coordenador executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Bahia (Codes), estrutura vinculada à Secretaria de Relações Institucionais (Serin).

Atualmente, Jaques Wagner é secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado da Bahia.

Arena Fonte Nova

A portaria com o projeto de concessão para a realização das obras da nova Arena Fonte Nova foi publicada no ano de 2009 pelo governo do estado, chefiado por Jaques Wagner.

Conforme documentos divulgados à epoca, a Concessionária Fonte Nova Participações S/A foi contratada em janeiro de 2010 pelo prazo de 35 anos para reconstruir e operar a Arena Multiuso, tendo até 31 de dezembro de 2012 para concluir as obras e iniciar a operação em janeiro de 2013.

Esse prazo sofreu adiamentos e o estádio foi inaugurado oficialmente, com a presença da então presidente Dilma Rousseff no dia 5 de abril de 2013. O equipamento foi, de fato, entregue aos baianos com a realização de um clássico Ba-Vi no dia 7 de abril daquele ano.

A implosão do antigo estádio para construção de uma Arena Multiuso visou entregar à cidade de um equipamento paraa sediar a Copa do Mundo de 2014.

A arena foi implodida no ano de 2010, após ficar interditado desde o dia 25 de novembro de 2007, quando parte da arquibancada cedeu durante um jogo, matando sete torcedores, em uma das maiores tragédias da história do futebol brasileiro.

Em decisão de 2016, o Pleno do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE/BA) considerou ilegal o contrato no modelo de Parceria Público-Privada (PPP) que realizou a reconstrução da Arena Fonte Nova. No parecer, os conselheiros do órgão consideraram que houve gastos excedentes nos custos das obras.

 

 

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