Policiais civis desafiam governo e cruzam os braços por 24 horas

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Publicado por Editor | Colocado em Bahia, Polícia | Data: 12 jan 2010

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do A Tarde

Policiais civis baianos voltaram a desafiar o governo do Estado, cruzando os braços durante esta segunda-feira. A estratégia, acertada em assembleia, no último domingo, foi uma forma de pressionar o governo a, dentre outras reivindicações, contratar 340 candidatos aprovados em concurso de 1997 para os cargos de agentes e escrivães, até hoje não nomeados. Entre as principais reivindicações, está a cobrança por novo concurso público, forma de suprir o déficit de pessoal estimado pelo sindicato em mais de três mil policiais.

Pela manhã, representantes da categoria e aprovados no concurso de 1997 sem nomeação voltaram a ocupar a entrada da sede da Polícia Civil (Piedade). Nas faixas e discursos em carro de som, o Sindicato dos Policiais Civis da Bahia (Sindpoc) reiterava a decisão de esperar um contato do governo até o próximo dia 20. “Se continuar assim, vamos parar no Carnaval. No dia 26 decidiremos o dia da assembleia para votar pela  greve”, disse Carlos Lima, presidente do Sindpoc.

Muito contrariado com a situação, o delegado-geral, Joselito Bispo, afirmou que a frequência dos agentes será controlada. “Essa atitude dos policiais é improcedente. Parar é o último recurso e não o primeiro. Não fomos procurados para a negociação”. Com relação à denúncia sobre a presença de funcionários não-concursados nas delegacias que estariam desvirtuando o trabalho de investigação, Bispo explicou que houve seleção para os 600 agentes administrativos: “A contratação deles que permitiu colocar mais policiais na rua”.

Bispo admitiu o déficit, mas alegou que o concurso ainda é válido: “Estamos no prazo e a nomeação vai ocorrer assim que houver compatibilidade financeira no governo e, para realizar outro concurso, temos que concluir o processo de 1997”.

Dez homicídios – Alheios à argumentação do delegado-geral, seus comandados deixaram a cidade sem cobertura policial, exceto para registros de flagrantes e remoções cadavéricas, além de casos de estupro e pedofilia, conforme decisão da categoria.

Pelo menos dez homicídios deixaram de ser investigados – nove mortes registradas pela Central de Telecomunicações da Polícia (Centel) entre as 19h de domingo e 7h de ontem, mais o comerciário Alexsandro Cerqueira Lima, 27 anos, foi morto a golpes de facão, na madrugada de ontem, em Lauro de Freitas (Grande Salvador.   O clima foi de calmaria nas delegacias e as poucas pessoas que buscaram as unidades não obtiveram atendimento.

Uma exceção foi a Delegacia para o Adolescente Infrator (Brotas) onde até a manhã de ontem oito adolescentes foram liberados. “Temos que liberá-los para o Ministério Público, senão descumprimos o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente)”, disse uma funcionária do cartório da DAI.

A Delegacia de Atendimento ao Idoso (Barris) operou também com todo o efetivo, mas remarcou as audiências que estavam previstas para esta segunda.

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