Quilombolas de Conquista têm altas taxas de insegurança alimentar, aponta estudo 

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Publicado por Mateus Novais | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 13 abr 2016

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Ascom UFBA Conquista
foto: imagem ilustrativa

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Um estudo feito por pesquisadores do UFBA de Vitória da Conquista identificou altas prevalências de insegurança alimentar em várias comunidades da zona rural de Vitória da Conquista, sobretudo, em comunidades quilombolas. Com o apoio da equipe da Unidade de Saúde Familiar do Pradoso, zona rural do município, alunos da UFBA-Conquista, sob a coordenação da professora Danielle Medeiros, em parceria com alguns alunos da UESB, realizaram 459 entrevistas domiciliares com os responsáveis pelas famílias de 21 comunidades.

Os resultados mostraram a presença da insegurança alimentar  na maior parte dos domicílios pesquisados (52,1%), principalmente nas comunidades quilombolas (64,9%), com prevalências superiores às das populações rurais brasileiras (35,3%), da região Nordeste (38,1%) e da Bahia (37,8%).

“A prevalência encontrada foi elevada em todos os níveis nas populações estudadas, com diferenças entre as comunidades quilombolas e não quilombolas, com maior gravidade nas quilombolas, demostrando a possibilidade da existência de fome nas famílias estudadas”, afirma uma das pesquisadoras, a estudante Etna da Silva.

A insegurança alimentar ocorre quando há dificuldade no acesso regular e permanente aos alimentos em qualidade e quantidade suficiente, ou até mesmo com a preocupação da interrupção deste no futuro próximo, comprometendo o acesso a outras necessidades essenciais. Ela se classifica em leve, moderada e grave.

Planejamento

Assim que identificaram a situação de insegurança alimentar nas comunidades quilombolas e não quilombolas de Vitória da Conquista, os pesquisadores trataram de difundir os resultados do estudo na Oficina sobre Saúde Quilombola do Departamento de Atenção Básica da Secretaria Municipal de Saúde e ainda apresentá-los, com êxito, para a Equipe de Saúde Familiar do Pradoso.

Desde então, conforme conta a cirurgiã-dentista da unidade de saúde referida acima, Katiuscy Carneiro, as equipes têm feito planejamento de ações com base nos dados do estudo.“[Essa pesquisa] nos trouxe dados novos que até então a gente não imaginava que comunidades tão próximas da zona urbana, como o Baixão, por exemplo, tivessem uma insegurança alimentar maior do que em outras comunidades mais distantes que a gente tem. A partir disso, a gente sentou para planejar, fazer um plano de ação para qualificar a atenção à saúde nessas comunidades”, conta.

Transformação social

Para a coordenação do estudo, pesquisas como essa de cunho social são importantes para desvelar o problema e suas associações, servindo como instrumento para a reivindicação e implantação de ações e politicas públicas para a melhoria da alimentação, saúde e qualidade de vida dessa população estudada e de toda a população rural brasileira, e ainda contribui para uma formação humana e cidadã dos estudantes-pesquisadores envolvidos no projeto.

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