Compatibilidade

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 28 dez 2019

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Por Nando da Costa Lima

O prefeito de Remosopólis se espreguiçou na poltrona, deu um peido, coçou o saco, cheirou os dedos, resmungou que tava carente de um bom banho e ordenou pro secretário:

— Pode começar, merda. Tô com pressa.

— Tá bom Dr., eu vou ler as fichas e o senhor escolhe o nome:

Zé Tenório. Mais de dez acusações de estelionato, facilidade pra fazer amizade com políticos de alto escalão. Tenório topa qualquer parada e é advogado formado não sei onde, só não tem a carteira da OAB.

Manoel Silva, brasileiro solteiro, atira com as duas mãos, mas prefere trabalhar com a peixeira lambedeira herdada de seu avô, que foi cangaceiro (a peixeira é usada só como talismã). Formado em administração, Manoel é especialista em extorsão em chantagem. Também gosta de cantar em karaoke música de Wando.

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Custódio Pé de Valsa

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 09 nov 2019

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Por Nando da Costa Lima

Custódio era mais arrogante do que ministro do STF, mas quando bebia, perdia a noção de tudo… Ele parou o carro em frente a uma cancela, estava completamente bêbado, tava de bater de lenço… Tentou abrir, mas viu que estava com um cadeado enorme. Foi o jeito pular, mesmo estando vesgo de pinga. Conseguiu cair do outro lado e do chão sentiu que vinha alguém ao seu encontro. Era um senhor de uns 70 anos, com barba e cabelos grisalhos. Ele acenou pro biriteiro e, apontando pro casarão, o convidou para tomar um café. Custódio ficou de pé, sacudiu a poeira, agradeceu o convite e acompanhou o velho até a residência. Lá a casa parecia que estava em festa, tinha muita gente! Todos foram muito simpáticos, parecia que todos eram parentes dele. Pela cordialidade, Custódio se sentiu em casa, só tinha gente boa! Um dos presentes notou que ele estava enrolando com aquela xícara de café com leite e ofereceu uma pinga. Ele aceitou sorrindo, viu que ali era o lugar certo pra terminar aquela farra. Ficou tão alegre que esqueceu do tempo, nem pensava em sair dali, tava muito satisfeito. Dançou, comeu e, principalmente, bebeu. Conversou sobre vários temas com os presentes, só não ficou mais à vontade porque notou que só quem não estava armado eram os meninos. Mas pelo tratamento a ele dispensado, pegava até mal perguntar o motivo de tantas armas. Parecia que iam pra guerra! O pessoal lhe tratou tão bem que ele não tinha planos de ir embora tão cedo. Até uma possível namorada ele já tinha arranjado, era uma questão de tempo. Antes da meia-noite ele já estava tropeçando no povo, mas tinha certeza de que ia se dar bem com aquela morena.

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Sabiá

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 26 out 2019

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Por Nando da Costa Lima

O sabiá não se aguentava de cansaço, antes o perigo eram os alçapões e os badoques dos meninos, agora é só sobrevoar um polo industrial que tá correndo risco de vida. Tava tão exausto que nem cumprimentou o velho tamarindeiro que lhe servia de pouso, mas este, com a paciência dos mais velhos, puxou conversa – Como vão as coisas amigo Sabiá?

– Que coisas meu velho?

– O mundo como você sabe, eu, apesar de contribuir para que o homem respire, não tenho asas como você para estar onde as coisas acontecem. Há mais de um século estou nesse lugar, claro que vi muitas coisas, mas tudo que pude observar durante toda minha vida você vê em dobro num simples voo. Aqui agora nem vem ninguém passear na praça com medo de assalto, por falar nisso amigo, é a profissão que mais tem gente. Será que tá tendo concurso pra ladrão???

– Não, tem eleição. Mas voltando à situação do mundo, você vai é agradecer por não ter asas. Parece que a miséria quer se apossar do mundo e colocar a desgraça como secretária, a cada dia a terra perde um pouco de sua vitalidade. Antes, quando eu estava voando só avistava o verde, hoje só se vê fumaça e concreto, eu até acho que o objetivo do homem moderno é cimentar o mundo.

– Mas sabiá, a coisa não deve estar tão ruim assim, eu mesmo só estou vivo até hoje graças ao homem.

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Delirium Tremens

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 19 out 2019

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Por Nando da Costa Lima

Como todo dono de boteco, só tinha uma coisa que Damião gostava mais que aumentar as contas da freguesia e fuxicar, era a birita! Vendia uma e bebia duas, já estava naquele estado em que o tornozelo fica parecendo um pilão. Mas era uma cachaça tranquila, não enchia o saco de ninguém…, a não ser sua mulher que toda noite acordava com ele aos gritos pedindo pra tirar a cobra de cima da cama. Marinalva já estava acostumada, nem abria os olhos, sabia que aquilo não passava de alucinação de pinga. Ela até tentou leva-lo ao médico, mas ele recusou terminantemente, pegaria mal confessar pra um médico que estava tendo alucinação, logo ele um comerciante de bebidas, além do mais seria o fim de linha pra sua fama de bom bebedor, era melhor conviver com a cobra imaginária que suportar as gozações dos amigos. Mesmo assim ela conseguiu uma consulta em casa com uma psicóloga, a doutora examinou o “bebum” e deduziu “que o paciente em questão teve uma transição desconexa do Id pressionando o Ego e desencadeando uma Cobrafobia crônica, o réptil já havia se instalado no inconsciente do paciente, causando um transtorno bipolar psico-cobrófico, um caso raríssimo.” Ninguém entendeu nada que a doutora falou e a cobra continuou aparecendo, ela até crescia… parar de beber nem pensar! O homem gostava tanto do álcool que passava as horas de folga fazendo experiências etílicas. Pra ele se não existisse álcool, o mundo morria de tristeza. Já imaginou um carnaval sem cachaça?

Depois de anos convivendo com aquela agonia noturna, Marinalva decidiu dar um ultimato pro marido, tinha cansado de carregar aquela “mala”. Daquele dia em diante, ou ele parava de beber, ou ela ia embora. Deu o prazo de 48 horas pra ele se decidir, já estava de saco cheio daquela cobra. Ficaria na casa da mãe até ele resolver. Caso ele se decidisse pela birita, ela mandaria buscar os filhos. Damião nesse dia tomou todas, tava tão carente que pediu ao filho mais velho aos prantos que dormisse ao seu lado para aliviá-lo dos delírios noturnos. E foi graças ao rapaz que o casamento de Damião foi salvo… É que nessa noite, seu filho matou uma cascavel enorme que passeava por cima da cama do pai. Marinalva quase endoidou quando soube, conviveu tanto tempo com aquela cobra pensando que não passava de alucinação de bêbado. Damião ficou tão alegre que triplicou a cachaça e Marinalva tomou gosto pela pinga depois do problema resolvido. Foi nas ondas do marido e largou até o emprego de professora pra dedicar tempo integral ao copo, bebia de igual pra igual com o maridão.

Hoje, três anos depois do ocorrido, nós estamos aqui no velório de Marinalva (que morreu de cirrose hepática) escutando Damião contestar o atestado de óbito e jurar de pé junto que quem matou sua mulher foi uma sucuri com mais de 20 metros, que ultimamente vinha saindo de dentro do guarda-roupa, ele tinha certeza que Marinalva

morreu foi de susto, a bicha parecia um dragão, só não tinha asa. Desta vez resolveram chamar um neurologista pra examinar Damião, mas doutor Tolentino se recusou, argumentando que aquilo era problema do IBAMA. Este órgão por sua vez mandou um memorando explicando que não tinha armadilha pra pegar alucinação. E o interessante é que de cada dez amigos de copo presentes no velório, nove já tinham visto a sucuri descrita pelo viúvo…

Morrendo de amor

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 17 ago 2019

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Por Nando da Costa Lima

O que atraía a atenção do pessoal era aquela paixão de dar inveja a Romeu e Julieta, entre namoro e noivado já tinham passado quinze anos de “ensebamento”. Estavam tão famosos que até o cego Alomar fez um ABC de Antônio e Nilsimar, todo mundo que escutava caía no choro! Vicente não podia escutar que desmaiava… Era uma verdadeira obra de arte! Mas vamos deixar o ABC de lado e entrar direto na história. O casal, apesar de lindo, era cheio de complicações. Mas não era pra menos! Uma rua inteira azarando um relacionamento não podia dar outra coisa! Nesses quinze anos foram inúmeras as vezes que eles entraram em atrito por causa de fuxico… Um dia só porque Leopoldo da Caçamba deu uma olhada mais demorada pra Nilsimar, Robertão espalhou na rua que foi ela que tava “se abrindo” pra Leopoldo por causa do “chevetão”. Antônio pensou em pegar o 38 pra tirar satisfação, mas tinha vendido a arma pra pagar uma promissória.

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O Peru Sapateador

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 03 ago 2019

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Por Nando da Costa Lima

Dr. Abreu era delegado e se orgulhava da profissão, era tão fanático pela lei que dedicava seu tempo quase que integral à perseguição de bandidos. Mas num vilarejo daquele tamanho era muito difícil aparecer um marginal, sendo assim ele suspeitava de tudo e de todos, era o único jeito de mostrar serviço, muita gente boa foi em cana devido à paranoia do delegado. Mesmo contra a vontade, a comunidade tinha que admiti-lo, pois o vilarejo ficava em suas terras. Seu pai quando chegou na região (segundo as más línguas) tava matando cachorro a grito e comendo muito ensopado de capa de cangalha velha (não se sabe como, mas venceu). Graças ao seu “carisma”, tornou-se presidente da cooperativa em pouco tempo, e isto levou Abreu a torna-se um empresário de sucesso. Criou a FRIBODE, uma das empresas mais promissoras da região (o cargo de delegado era mais uma tara, gostava de ser chamado de “otoridade”). Esta circunstância deixava o delegado à vontade levando-o a cometer arbitrariedades absurdas: um dia prendeu o padre como traficante de maconha, até o vigário conseguir provar que aquele pacote era incenso foi um sufoco.

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Toda árvore é mística

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 18 maio 2019

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Por Nando da Costa Lima

A conversa foi entre Osmundo Patureba e seu sobrinho Wanderval Colibri. Ele tava fazendo de tudo pro rapaz entender que aquela árvore era uma figueira e não uma gameleira… É que ambos eram lobisomens, e Patureba tava explicando ao sobrinho que ele tinha que debutar (virar lobisomem pela primeira vez) debaixo de uma gameleira preta, num local em que uma jega tinha parido. Isso era uma lei para lobisomem nordestino. Lobisomem americano é outra coisa, transforma até em banheiro público, a química é totalmente diferente.

O tio de Colibri já estava ficando retado, o rapaz estava irredutível: sua primeira transformação tinha que ser na figueira da Olívia Flores, era mais chic! E ainda esnobou o tio dando uma aula de geografia, disse que aquela figueira centenária fica exatamente na linha em que a caatinga beija a mata. Sendo assim, qualquer árvore que nasce nessa linha pode ser considerada mágica para lobisomens e outros tipos de livusias. A figueira fica em frente ao supermercado G. Barbosa que, apesar de forasteiro, se prontificou a proteger a velha árvore. Conquista agradece.

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Dívidas por dívidas

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 30 mar 2019

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Por Nando da Costa Lima

Quando Teotônio chegou a Salvador com três malas de couro de seu recém-lançado livro “Dívidas por Dívidas”, tinha quase certeza que ali as coisas correriam bem. Os dois primeiros lançamentos haviam fracassado (um em Pernambuco e o outro na Paraíba), segundo ele, o povo dali estava engatinhando culturalmente. Neste terceiro lançamento ele resolveu deixar tudo por conta de um primo, sua obra seria bem melhor representada por um jovem estudante, aquele trabalho futurista teria bem mais saída sendo apresentado por gente nova. Deixou os 480 volumes na mão de Miranda e voltou pra Santo Amaro. Ficou resolvido que assim que os livros fossem vendidos o dinheiro seria enviado.

O estudante se sentiu nas alturas ao receber aquela incumbência, um escritor deixar sob sua responsabilidade toda sua obra, ele tinha que caprichar no lançamento! A primeira tentativa de lançamento foi na escola, não vendeu nenhum, mas estudante nunca teve dinheiro mesmo! Da segunda vez ele bolou um plano que não podia falhar, deu um almoço festivo e relançou “Dívidas por Dívidas”. Deu sorte que uma senhora derramou uma caneca de vinho numa pilha de livro e melou sete, o marido fez questão de pagar! Depois disso o estudante fez mais quatro tentativas, lançou até num jogo de futebol entre casados e solteiros, só vendeu um! Na falta da moeda para tirar cara ou coroa, usaram um livro que foi pisoteado pelos perdedores. Cansado de fracassar nos lançamentos, resolveu colocar a obra de Teotônio em exposição nas livrarias, assim ficaria mais aliviado daquele fardo. Percorreu todas as casas especializadas em livros da cidade, ninguém quis ficar com nada, a sorte foi que uma grande livraria cujo dono era muito amigo do seu pai resolveu dar uma força, o rapaz deixou logo os 472 volumes restantes na mão do gerente. Agora era torcer para que o livro tivesse saída e ir receber o dinheiro, a livraria tinha experiência com esse tipo de coisa, e mesmo que não vendesse ele tinha se livrado de ficar olhando praquela pilha de livros todo santo dia!

O tempo ia passando e nada do livro sair, quando o estudante botava o pé na porta da livraria os funcionários gritavam em coro “Lá vem o Dívidas por Dívidas”. Com o tempo ele desistiu de ir, mandava os colegas, mas as respostas eram sempre as mesmas. “Dívidas por Dívidas” era o maior encalho da história da casa, da última vez que perguntaram o gerente falou que só tava esperando o dono aparecer para devolver aquela merda.

Um dia acordou com uma boa notícia, uma grande livraria da rua Chile tinha pegado fogo, era a do amigo do seu pai que tinha ficado com os 472 volumes do livro. Não tomou nem café, correu pro local do incêndio e quando viu que não tinha sobrado nada deixou correr uma lágrima de alegria pelo rosto, só assim pra ele vender aquilo! O dono da loja reconheceu o filho do amigo e ficou sensibilizado com a tristeza do rapaz por ter perdido os livros no incêndio, consolou o rapaz prometendo pagá-lo o mais rápido possível. O estudante saiu dali direto pro correio, ia telegrafar para o primo escritor dando a boa notícia que um único revendedor ficou com os 472 livros. Foi pra casa aliviado, tinha resolvido um problema que tava lhe incomodando, toda semana o primo escrevia perguntando pela vendagem do livro. Agora era só esperar o pagamento e remeter para Santo Amaro.

Ele ainda estava tomando café da manhã na cozinha quando vieram lhe avisar que o dono da livraria estava na sala à sua espera. Ficou todo contente, o homem teve pressa de pagar! Mal tinha engolido o café e saiu para receber o dinheiro tão esperado, mas quando chegou na sala quase morreu de desgosto, o livreiro tinha ido entregar os 472 volumes intactos de “Dívidas por Dívidas”, os únicos livros que milagrosamente escaparam do incêndio…

Só depois de encontrar um exemplar de “Dívidas por Dívidas” com uma dedicatória feita em 1939 e saber de sua história é que vim entender porque aquele médico contador de causos nunca quis ser escritor.

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No tempo de Piolho e Naldo

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 11 ago 2018

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Banner marcelo santana

Por Nando da Costa Lima

Tem gente que é persistente! Pro sujeito viver de futebol no interior da Bahia, no final dos anos 60 pro início da nova década, era um sufoco. Bota sufoco nisso! Eu falo porque sou testemunha, eu vi o Conquista Futebol Clube na sua melhor fase! Nós tínhamos craques que podiam jogar em qualquer grande time do país. É sério! Era um timaço: Wesley, Neves, Ticarlos, Wellington, Naninho, Naldo, Agra, Isac, Piolho, Vitor, Jurandir, Juracy… Piolho e Naldo faziam a festa pra torcida, eles eram habilidosos e jogavam um futebol elegantíssimo, eles faziam a diferença! É claro que toda a equipe era formada por jogadores de alto nível, mas do meio de campo pra frente, se deixasse Piolho chutar, ficava difícil pro goleiro. Foi esse time que contratou o prof. José Maria Areias como treinador. Se naquele tempo a carreira de jogador já era difícil, imaginem a de técnico, era bem pior! Ele tinha que ser treinador, amigo, pai, mãe, psicólogo… …Leia na íntegra

Ibicuí-BA

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 12 ago 2017

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Por Nando da Costa Lima

Foi numa tarde de 1947 que ele ali chegou, um lugar pequeno, carente de muitas coisas, como todo lugarejo mais distante da capital. Chegava como um presente para a região. Um médico naquela época era sinal de progresso e motivo de alegria para toda a população. Um povo simpaticamente diferente, cujo cotidiano era infestado de acontecimentos interessantes. Um lugar onde todos se conheciam e cultivavam a amizade com mais intensidade. Pessoas que por saberem do quase isolamento com o mundo exterior apegavam-se como irmãos de sangue, uma união que nem o tempo conseguia apagar. Lá nasceram quase todos os seus filhos, e talvez tenha sido ali sua verdadeira faculdade, cujas matérias amizade e respeito ficaram em nossa memória como a única forma de viver bem. Como homem e como médico, deixou-se envolver pela simplicidade dos que dele necessitavam, tornou-se um deles. Olhava-os de frente, nem por cima, nem por baixo. Uma vida compensadora, mas difícil, pois praticar medicina no interior há anos atrás exigia mais da boa vontade do homem do que da técnica de médico. A vida passava, um parto aqui, uma cirurgia ali, e na maioria das vezes essas visitas médicas eram feitas em lugares onde só se tinha acesso montado em lombo de burro, consultas que nunca foram deixadas de lado por comodismo, daí tantos amigos firmes. Homens rudes, filhos legítimos da terra cujo maior orgulho era a honestidade. Uma gente de sorriso difícil, mas de amizade sincera, um povo que sabia agradar e entendia que o respeito é algo que só se adquire através do bem. …Leia na íntegra

No tempo do ronca

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 23 jul 2017

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Por Nando da Costa Lima

Antigamente os padres eram verdadeiros tropeiros, tinham vários animais para carregar os apetrechos pelos interiores mais íngremes fazendo de tudo que a Igreja exigia: batizados, casamentos, missas e até dando extrema unção. Eram verdadeiros heróis, davam de tudo pelo sacerdócio. É claro que tinham lá suas vantagens, mas tinham que ter, eles encaravam viagens terríveis querendo ou não, o tempo podia estar bom ou ruim, lá estavam os vigários na estrada tomando sol, chuva e engolindo poeira pra ajudar as populações mais carentes. Nesse tempo já tinha os aproveitadores que se passavam por médicos, advogados e até por padres…

O causo que vou contar é sobre um falso padre, mas este era diferente, levava tão a sério seu trabalho que já tinha vinte anos de “sacerdócio” e ninguém nunca duvidou, acho que depois de um tempo até ele mesmo acreditava que era padre. O vigário Tonico Teotônio não ficava devendo nada a padre nenhum, sabia tudo sobre religião, além de falar latim. Era um homem de estatura média, mas pesando muito mais do que sua estrutura permitia. Eram mais de 120 kg acomodados em 1,65 m. Os animais que o carregavam tinham que ser escolhidos a dedo, não era qualquer burrinho ou mulinha que suportavam aquele peso. O vigário comia por quatro pessoas adultas, e os moradores dos povoados sabiam e já ficavam preparados para as visitas do reverendo. Engordavam galinhas, porcos, carneiros, etc., tudo que agradava um bom de garfo. Muita gente garantia que o Vigário comia um quarto de leitoa sozinho e ainda “matava” uma rapadura de sobremesa.

E foram esses excessos que desenharam a tragédia envolvendo o padre Tonico. Ele simplesmente desapareceu, isto é, muita gente viu que ele caiu numa fossa. É que naquele tempo as privadas eram artesanais. Faziam um buraco no chão que era coberto com tábuas, e no meio era feito uma abertura para que as pessoas fizessem suas necessidades. Geralmente ficavam separados da residência, era um cômodo a parte. Tinha vários nomes: casinha, bate-pronto, cagadô, etc. Com o tempo, quando o buraco estava quase cheio, eles mudavam a “casinha” de lugar e terminavam de entupir o buraco com terra. E foi depois de comer duas galinhas e um espinhaço de bode que o vigário Tonico sentiu vontade de usar o “cagadô”, só que as tábuas estavam já frágeis, e na hora que o padre entrou o piso desmontou e ele caiu no buraco (fossa).

Era um “bate-pronto” de pensão e esses eram bem mais fundos para atender a grande demanda, o padre sumiu no meio das merdas. Os moradores revezaram pra ver se encontravam o falso vigário, cutucaram com varas durante uma tarde inteira e nada de tocar no corpo do afogado. Aí resolveram que tinham que esvaziar a fossa pra recuperar o corpo, o jeito era tirar de lata… Foi uma trabalheira doida, os voluntários quase desmaiaram quando viram que o corpo não foi encontrado mesmo depois do “cagadô” esvaziado, só acharam a batina e o sapato. Três beatas gritaram de vez: “Foi um milagre, dois anjos levaram o vigário pra ele não ser lembrado como o padre que morreu afogado em merda”. Aí todo mundo foi na onda, só podia ter sido um milagre mesmo. O povo se reuniu e fez uma capela onde era o “cagadô”, o bispo ficou sabendo e mandou derrubar imediatamente. Foi aí que veio à tona que o padre era falso.

As paróquias se movimentaram e comprovaram que nenhum seminário teve um aluno com aquele nome: Tonico Teotônio Terêncio. Mesmo assim, as beatas mais fanáticas não desistiram do milagre nem dos anjos, afinal, mesmo o homem não sendo comprovado como vigário, era gente de Deus e se dedicou muito às regiões carentes de padres… Apesar de a Igreja contestar o falso padre e mandar derrubar a capela, o povão não deixou de acreditar no milagre. Só Seu Miltão, que era ateu e inimigo de chapéu batido de Tonico, analisou o fato de outra maneira: “Não aconteceu nada demais, o homem simplesmente voltou às origens…”. Mas na realidade, Tonico simulou o acidente ao saber que a Igreja ia desmascará-lo e fugiu pra São Paulo, onde viveu muitos anos como “médico”.

Esporte Clube Desbotado

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 11 mar 2017

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Por Nando da Costa Lima

O frio tava de lascar, mas Sílvio tinha que tomar aquele banho de cuia na única pensão que ele achou disponível, não podia se apresentar ao presidente do time sujo daquele jeito. E afinal de contas, mesmo sendo um time de 3ª divisão, ele era um profissional e foi contratado pra ajudar a melhorar aquele clube, era um goleador. Sílvio já estava com 40 anos (mas falava que tinha 34) e nunca tinha feito nada na vida a não ser jogar bola. E apesar da idade um pouco avançada, ele nem sonhava em pendurar as chuteiras, se fizesse isso ia ter que virar morador de rua pois além de nunca ter estudado, não sabia trabalhar com nada. Seu melhor momento como jogador foi quando tinha 18 anos e conseguiu jogar 10 minutos num time grande do Sul onde ele chegou a treinar. Desse dia pra cá ele jogou em vários times, mas nunca conseguiu se firmar em nenhum, a bola era pequena e a arrogância enorme. Se achava um craque perseguido pelos cartolas. …Leia na íntegra

Profissão de risco

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 11 fev 2017

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Por Nando da Costa Lima

Isto só acontece em cidade pequena, onde o prefeito eleito se esbarra nos seus eleitores toda hora… Cidades com menos de 10 mil habitantes. É fácil fazer a campanha, mas fica difícil governar.

Joselino Dentista já tinha sido vereador uma cacetada de vezes, era um cara carismático e muito prestativo. Era tão bom que o partido do qual fazia parte resolveu lança-lo como prefeito, ninguém melhor pra ocupar aquele cargo. Seria eleito com folga, era um homem honesto. Como vereador, arrancou muito dente de graça, o consultório era um comitê o ano inteiro. Era tão procurado que nenhum outro dentista conseguiu seguir carreira na cidade, o máximo que ficavam era um mês. Essa sua profissão, apesar de não lhe dar lucro, era uma mina de votos. O presidente do seu partido tinha certeza que aquele era o homem pra governar a cidade. Só que Joselino era um sujeito acomodado, achava que como vereador era bem melhor, lhe sobrava mais tempo e mexia com menos gente. …Leia na íntegra

O dono da razão

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 06 ago 2016

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Por Nando da Costa Lima

NandoToda cidade tem seus problemas, mas tem umas que são um eterno problema. É o caso de Remosópolis, uma terra que não vai pra frente enquanto existir a família Remoso. Eles se metem em tudo e acabam estragando todo acontecimento que há na cidade, agora mesmo eles estavam aprontando. É que a academia de letras e capoeira promoveu um concurso de poesia a nível regional, a cidade estava repleta de poetas, tinha representante até de Conquista. A apresentação das poesias foi no colégio Remoso, e tudo correu às mil maravilhas, boas poesias foram apresentadas num clima de muita paz. O problema era o resultado, acontece que o coroné Mangangão Remoso inscreveu uma poesia no concurso, tida pela família como a melhor obra do velho. Os moradores da cidade não aceitaram participar do júri, eles não tinham coragem de votar contra o coroné. A direção resolveu formar um júri com pessoas de fora, eles não sabendo da fama do coroné votariam imparcialmente, ou seja, nem classificariam a poesia do velho. …Leia na íntegra

Pirão de Buchada

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 23 jul 2016

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Por Nando da Costa Lima

NandoDona Tolentina tinha acabado de deixar meia panela de buchada pra seu Ortêncio no bar, sempre que preparava um bucho lembrava da velha paixão, era seu prato favorito! A roda de cachaceiros que não saía dali nem ousava pedir um tira-gosto, sabiam que aquilo era coisa antiga, qualquer brincadeira com o nome de Dona Tolentina o engraçadinho além de perder o crédito no buteco corria o risco de levar uns tapas… Quando Ortêncio colocou o prato sobre o balcão, espremeu uma banda de limão em cima do pirão e pegou uma garrafa de Jurubeba pra acompanhar aquela gostosura, todos que estavam no bar ficaram com água na boca… Aí então chegou Nozim, um moleque beirando os treze anos, conhecidíssimo na cidade pelo eterno vazamento que tinha no nariz, o menino que vivia gripado! Era uma coisa incrível, quando a narina direita parecia que ia despejar ele dava uma aspirada tão retada que o vazamento já passava pra esquerda. Ortêncio ainda tentou baixar as vistas mas não deu tempo, ficava difícil olhar pra cara de Nozim e comer ao mesmo tempo. Se fosse outra comida até que ia… …Leia na íntegra

O Afilhado

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 02 jul 2016

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Por Nando da Costa Lima

NandoEle era o retrato do imprestável, bigode fino, chapéu de palinha, dois dentes de ouro, e conservava um palito sempre no canto da boca. Falava pelos cotovelos e tinha tudo que é curso por correspondência. Mas só conseguiu subir na vida pendurado no fato de ser sobrinho de Getúlio Vargas. Se elegeu vereador e hoje é vice-prefeito graças ao padrinho que ele nunca conheceu, mas que nos seus discursos tornava-se íntimo, falava do ex-presidente como se tivesse convivido no particular, Getúlio conversava com ele todos os problemas políticos e econômicos do País. Isto com três anos de idade, pois segundo seus adversários ele tinha essa idade quando o presidente morreu. Mas como ficou claro, quase ninguém sabia seu verdadeiro nome, todo mundo só conhecia o afilhado de Getúlio, ele era tão famoso que tornou-se padrinho oficial de formaturas do 2º grau, em todas ele tava lá colado. O discurso era o mesmo: “A vida de Getúlio, meu padrinho…”.

Naquele dia ele era só alegria, aquela notícia veio a calhar, conseguiu ser vice-prefeito graças ao apadrinhamento. Como prefeito seria bem mais fácil, chegando lá ia seguir os passos do padrinho, riscando apenas o episódio final. Sua casa estava em clima de festa, é que o prefeito sofreu um acidente, virou a rural vindo da inauguração d’uma boate numa cidade vizinha. Tava cheio do pau, tomou mais de dois litros de “5 Estrelas” sozinho, os amigos ainda quiseram segurá-lo mas não teve jeito, ele quando bebia e escutava Amado Batista só sossegava depois que a esposa dava uma surra de cabo de machado, e foi nessa que virou o carro. …Leia na íntegra

Engano

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 18 jun 2016

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Por Nando da Costa Lima

NandoA história que vou contar é do tempo que ladrão nem sonhava em usar gravata. É um caso interessante dum pistoleiro famoso, conhecido no seu tempo como um dos príncipes do mal. Seu nome era Pedro Funeral, e cá pra nós, o homem já parecia um defunto embalsamado, um sujeito diferente, que apesar da maldade tinha lá suas virtudes: não matava nem mulher, nem menino nem padre, uma questão de ética. Era um profissional muito competente, nunca deixou serviço pela metade. Matou gente de todo tipo: militar, doutor e até político influente; era só dar o retrato e fazer o pagamento. Botava o dinheiro no bolso, olhava pro retrato e o endereço, fechava a cara e dizia: “Dessa vez você vai, seu sacana”. Não passava uma semana, tinha velório na cidade. E ele era o primeiro a chegar ao funeral, e apesar de não chorar, nunca esquecia das flores.

Aconteceu que um dia Pedro pegou uma empreitada pra matar na capital. No início ele pensou até em recusar, já estava velho pra aquele tipo de coisa, mas dobraram o pagamento e aí ele não resistiu. Comprou um terno de linho horizontal, um chapéu preto e um 38 zerado. …Leia na íntegra

Dente por dente

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 14 maio 2016

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Por Nando da Costa Lima

NandoTalvez tenha sido a inveja a causa da briga entre Lucrécio e Sebastião, logo eles, amigos de velhas datas. Acontece que Lucrécio se deu bem na política, não que ele fosse candidato, muito pelo contrário, era um simples barbeiro. Mas graças à família numerosa conseguiu de um vereador, seu xará de nome e apelido, uma cadeira de barbearia e um espelho de cristal pra montar seu próprio negócio. Espelho que deu muito o que falar porque além de ter a moldura rosa (combinando) com a cadeira, tinha escrito em letras garrafais em alto relevo uma dedicatória do vereador: ”De Dr. Lulu Vereador ao querido Lulu Cabelereiro”. O “Dr” de Doutor Lulu era devido ao dinheiro que tinha, sua única formação era de detetive por correspondência. Por serem ambos solteirões, a população preconceituosa não deixou de cair em cima. Num ambiente de miséria daquele, um salão equipado era um sinal de progresso, e foi isto que gerou um clima de hostilidade entre os velhos amigos. Ambos eram bem chegados a uma “birita”, isto também não deixou de contribuir um pouco. Já haviam saído no pau em todos os botecos da cidade e só continuavam sendo aceitos por serem os maiores consumidores da “água que pinto não bebe”, o boteco que os evitasse quebrava! Um dia a coisa foi mais séria, Lucrécio tava no boteco de Noca há mais de doze horas, tava só a bôrra! …Leia na íntegra

Reis, príncipes e princesas

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 07 maio 2016

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Por Nando da Costa Lima

NandoNuma democracia todo mundo tem direito de opinar, só que por uma questão ética, os artistas não deveriam usar um palanque como palco. Mentalize o contrário: os políticos usando o palco… Já imaginaram o ex-presidente Lula cantando “Detalhes” para o público do Rei??? Mas eu não quero falar de política, só dei esta introdução para lembrar o dia em que Roberta Carlos veio a Conquista.

Foi num show que aconteceu no Lomantão, talvez tenha sido o único que ele fez aqui, não tenho certeza. Sei que quando cheguei na porta do estádio dava pra ver que a cidade toda estava ali, a fila dava voltas. Tava eu e Pirigoso, um amigo de farras e festas, até hoje somos amigos e sempre que nos encontramos lembramos de nossas aventuras, que não foram poucas. …Leia na íntegra

Zero por cento

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 19 mar 2016

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Por Nando da Costa Lima

NandoOcorreu há muito tempo… Nessa época “moça” engravidava ainda botava a culpa no “tarado”, e todo mundo acreditava. Foi numa cidadezinha dessas que a gente fica sabendo até da surra que o vizinho deu na mulher (ou vice-versa – pra não ser machista). Anacleto chegou ali pra mudar o clima daquele fim de mundo, o seu jornal veio pra puxar a corda do progresso. Quando começava a falar de jornalismo enchia o saco, era uma enciclopédia de frases feitas. E foi cheio de ideias que Anacleto fundou o Compacto, um jornal mensal que segundo ele iria marcar a História da imprensa nacional.

No início tudo correu bem, a população até gostou! Mas aí chegou a política pra atrapalhar a vida de Anacleto: é que ele tinha mania de inovador, resolveu fazer uma pesquisa de opinião pública sobre a tendência do eleitorado (coisa rara na época). Esta foi feita de maneira simples, quase artesanal, mas válida pela boa vontade de querer dar uma informação à comunidade. A pesquisa agradou a quase todos, digo quase porque o “coroné” Zangão, prefeito da cidade há mais de trinta anos (um ano era ele, no outro a mulher, no outro um dos filhos, etc.) não gostou nada ao ver publicado que a oposição tinha 1% de apoio popular. …Leia na íntegra