Por favor

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 01 abr 2017

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Por Nando da Costa Lima

É natural: todos nós já fizemos um favor ou fomos favorecidos por alguém. A nossa sociedade é uma cadeia de favores, e isso torna difícil a vida dos que não têm nada para oferecer. Isto é natural em qualquer país, só que aqui as coisas são mais acentuadas. Tanto é que se você não tiver muito pra dar (materialmente), corra de favores, pois estes só irão lhe atrapalhar.

O brasileiro (99,9%) é muito prestativo, desde quando haja retribuição e essa retribuição seja de uma forma direta, ou seja, se você faz um favor a alguém, este alguém só te retribui à altura. Não adianta mandar ninguém receber pagamento de favor, se o fizer você perde dois amigos, o pagador e o agraciado. O primeiro recebe mal, afinal ele deve um favor é a você. O segundo se dá mal, pois é atendido da forma mais descortês possível. E isso é natural para o brasileiro, tem gente que até aceita. Imagina você precisar ser operado e o médico responsável estiver pagando um favor ao patrão de um amigo do tio de sua ex-mulher? Se for seu caso, escute um conselho de amigo e deixe essa operação pra lá.

Mas o favor faz parte da cultura brasileira, tem até seu ponto positivo: nós somos conhecidos como um dos povos mais hospitaleiros do mundo, e a hospitalidade não deixa de ser uma forma de favor. Aqui no Brasil a classe mais pobre é mais sincera quando se trata de “pagar favor”, são os únicos que dividem o pouco que têm. Talvez já o fazem pensando numa possível retribuição. A classe média usa o favor como “status”, ela é prestativa desde quando seus préstimos sejam anunciados pelos quatro quantos, pois ter fama de bonzinho pra nós daqui é “status”. De rico eu não entendo muito, mas é uma classe interessante: só faz favor a quem não precisa. …Leia na íntegra

A carne é fraca

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 21 mar 2017

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Por Nando da Costa Lima

Parece que estão querendo que a Polícia Federal passe anos se dedicando a descobrir abusos e no final fique calada. É claro que o povo brasileiro deve ser informado de tudo que depois de investigado já se tenha certeza.

O problema da carne brasileira, quem mais sabe que pra nós sobra o que há de pior somos nós mesmos. Nenhum país iria importar um produto perecível sem investigar a condição em que este é cultivado até a sua entrega pronta para o consumo. Se houve algum problema com a notificação da Polícia Federal, este foi causado por outros países que buscam ganhar o seu quinhão na exportação da carne bovina.

O nosso maior problema é aqui, aí sim a fiscalização é falha e corruptível (claro que existem exceções). Mas quanto ao resto do mundo que consomem nossos produtos, é quase impossível que haja algo de errado, pois eles investigam tudo e só consomem quando há absoluta certeza que o produto é comestível.

A maioria tem técnicos analisando a mercadoria aqui dentro das nossas indústrias. Quem mais sabe que a nossa carne é de primeira qualidade são os importadores, e talvez até saibam que os exportadores brasileiros sempre deixam o pior para o consumo interno. Mas não cabe eles dar tais informações, isso diz respeito aos nossos órgãos fiscalizadores, que quando nos alertam sofrem logo uma crítica. Se um delegado federal anuncia que tem alguma coisa comprovadamente errada, ele é logo taxado de midiático.

E não é nada disso, ele está apenas cumprindo o seu dever. Na carne consumida no Brasil nós vamos encontrar muito nitrito, nitrato, papelão, bactérias, etc. Mas na carne que vai para o exterior, nada disso será encontrado. E isso não ocorre só com a carne, estou falando dela porque é o que está em questão atualmente, mas tudo que produzimos de melhor para o consumo, não somos nós que consumimos (infelizmente).

Agora que o país está tentando se equilibrar punindo os corruptos e corruptores com gente do primeiro escalão sendo preso pela Lava-Jato, tem muito produtor levando a coisa mais a sério. Sendo assim, não podemos deixar que a classe política caia de pau em cima da Polícia Federal por causa desse problema da carne. Se formos engolir essas críticas dos políticos estaremos de certa forma enfraquecendo a Lava-Jato, pois aí os batalhões de advogados especialistas em defender corruptos irão simplesmente argumentar que, se há corrupção, é por que a carne é fraca… Se colar, adeus Lava-Jato.

A cachaça e o conquistense

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 18 mar 2017

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Por Nando da Costa Lima

Que o conquistense, na maioria, gosta de um buteco, isto ninguém pode negar. E é buteco daqueles que vende pão, pinga, vela e sardinha. Pra nós cerveja desce melhor quando é tomada no pé do balcão, de preferência numa esquina. Todos sabem que o que aqui se faz, aqui se paga, só que em Conquista esta profecia se realiza com mais rapidez. Acho que por isso ninguém fala da cachaça do próximo, pois é só falar e no outro dia ou o filho, ou o marido, ou a mulher aparece bêbado e aprontando. Os mais místicos defendem a tese de que a cachaça do conquistense é proveniente da chacina que fizeram com os índios há séculos atrás – embebedaram os índios e depois mataram todos -, só que na minha opinião os espíritos do índios que foram mortos aqui não dá pra encarnar nem na metade dos pinguços da terra.

Em outros lugares o pessoal curte os bares à noite, como aqui são raríssimos os que ficam até a madrugada, o jeito é ficar bebendo durante o dia, tanto é que os acontecimentos que marcaram a vida boêmia da cidade ocorreram de manhã até a tarde, é a famosa cachaça diurna. Tem biriteiro que acorda 5 da manhã, fica tremendo até as sete na porta do buteco, na hora que abre você nota o ar de felicidade no rosto do cidadão. …Leia na íntegra

Maria Jararaca

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 04 mar 2017

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Por Nando da Costa Lima

Conquista era muito mais poética, devia ser um lugar ótimo para residir. Não que tenha deixado de ser, mas é que antes devia ser muito mais divertido, pois é muito raro num lugarejo como era Conquista antigamente habitar tantos poetas do calibre de Camilo de Jesus Lima, Jesus Gomes dos Santos, E. Menezes, Clóvis Lima, Claudionor Brasil, Bruno Bacelar e Íris Geraldo da Silva; este, para mim, o melhor poeta que nossa terra já teve. Um poeta na íntegra, não só pela beleza e clareza dos seus versos, mas por ter feito da vida uma poesia. Na juventude desses homens, as diversões aqui encontradas eram pouquíssimas, e sendo assim eles aproveitavam de maneira intensa não só os acontecimentos da nossa cidade mas de todos os lugarejos vizinhos. De casamento a velório, tudo era motivo pra colocar sapato novo, pois eram as oportunidades que encontravam pra flertar as moças solteiras da época.

Foi num desses divertimentos que aconteceu um fato interessante. Havia em um lugarejo vizinho uma doida conhecida como “Maria Jararaca”. Era dessas figuras que aparecem não se sabe de onde, mas com a convivência diária transforma-se em parte da cidade. Uma figura inofensiva de quem todos gostavam, tanto que ela participava de tudo, talvez até como gozação, mas ninguém tinha malícia com ela. Gostavam de curtir as coisas engraçadas que ela sempre tinha pra falar. Banalidades, mas que sempre faziam rir, por isso Maria estava presente em todas. Quando não, o pessoal sentia sua ausência e mandava buscá-la. …Leia na íntegra

O dedo que aponta o próximo

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 25 fev 2017

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Por Nando da Costa Lima

Delação premiada… Isto não é novidade, existe desde que o mundo é mundo. Mas o mais famoso delator foi Judas, que entregou Jesus por 30 denários. Isto o deixava livre e montado na grana. Teve até o famoso beijo na face de Cristo para que os centuriões identificassem a “caça”. Mas Judas não delatou um corrupto, ele entregou o grande essênio, o filho de Deus, e isto só lhe fez mal. Nem o dinheiro recebido evitou que ele caísse em depressão, ficou tão pra baixo que acabou se matando. E mesmo assim não teve jeito, ninguém o perdoou, todo ano nós aqui no Brasil queimamos bonecos que simbolizam o dedo duro bíblico. E é com muita festa que fazemos isto, tem até o tradicional inventário deixado por Judas que é lido antes de atearem fogo no boneco. É uma tradição bem brasileira.

Na Rua da Granja o Judas é queimado desde que eu me entendo por gente. Hoje já não tem o mesmo entusiasmo de antigamente, quando os adultos bebiam, liam o inventário e distribuiam doces para a meninada que adorava quando as bombas que recheavam o Judas começavam a explodir. Era uma correria doida e sempre teve muito público devido ao feriado!

Judas caracteriza bem como a raça humana é inerente à corrupção. Cristo foi perseguido desde o nascimento e só foi entregue em troca de dinheiro. Só assim conseguiram colocar a mão no filho de Deus, corrompendo um de seus discípulos. É a magia do dinheiro. Hoje os delatores são bem diferentes, eles não apontam através de um beijo como fizeram com o Messias. Hoje eles entregam a safadeza e ainda devolvem dinheiro para escapar das longas temporadas na cadeia. As delações se tornaram tão corriqueiras que ocupam 80% da mídia e até apagou um pouco aquela história de que só pobre vai pra cadeia. Agora todo mundo (que mexe com política) tá em xeque. O cidadão que ia de jatinho para os melhores lugares que o dinheiro pode comprar, de uma hora pra outra tá encarcerado nos Bangus da vida. Às vezes parece até piada, teve uma vez que em dois dias prenderam dois ex-governadores do Rio de Janeiro. O cartão postal do Brasil, pode?!! Teve outra vez que prenderam os ex tesoureiros do PT em ordem alfabética. …Leia na íntegra

Segundino

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 18 fev 2017

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Por Nando da Costa Lima

Tudo dava errado pra Segundino, parecia trabalho feito, não acertava em nada. Por mais que se esforçasse, desde menino nunca conseguiu: aprender a nadar, andar de bicicleta, montar a cavalo, empinar raia, enfim; tudo que uma criança de sua idade fazia era quase que impossível para ele, apesar de ser perfeitamente normal. No futebol, a melhor posição que conseguiu no time de rua foi como torcedor. Mas foi por pouco tempo, devido à falta de ânimo para aplaudir o time. Estava sempre dormindo.

Na adolescência o nosso herói sofreu muito. Para arrumar uma namorada o pai teve que interferir premiando as meninas que tivessem a paciência de sair com o azarão, mas não houve presente que desse certo. A que mais demorou foi Mariazinha, que era deficiente visual, assim mesmo depois de um mês escutando o mesmo papo (péssimo por sinal) não suportou e pediu as contas, explicando que já era cega e não tinha intenção nenhuma de ficar surda. Segundino entendeu e até agradeceu a ideia: partiu pra cima de Neuma surda. Este namoro foi um pouco mais demorado, mas só até o nosso amigo aprender a se comunicar através de libras. Quando isto ocorreu, Neuma gesticulando gentilmente dispensou Segundino. Aí então ele aprendeu que pra arrumar casamento só na outra encarnação.

Ao completar 25 anos, ninguém na cidade suportava mais de 5 minutos de papo com o rapaz a não ser Seu Gervásio, 104 anos, surdo igual a uma porta e caduco desde os 80. Ao sentir que não havia mais espaço para ele, veio a brilhante ideia: Segundino resolveu que iria para São Paulo e foi comunicar a decisão para a família. Antes de explicar os motivos da partida a mãe já havia arrumado as malas e o pai providenciado a festa de despedida (o que não foi possível de ser realizado por falta de gente). …Leia na íntegra

Programa de índio

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 28 jan 2017

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Não sei porque usamos o termo “programa de índio” quando estamos nos referindo a alguma coisa que não agrada. Acho o termo não muito apropriado, mas que existem programas que deixam o indivíduo arrependido de estar participando, existem. Nada pior do que sair para se divertir e ocorrer o contrário, e isto acontece com todo mundo. É o caso daquele amigo que você tinha como um ídolo. Enquanto estava guardado no baú do pensamento, ele era ótimo, mas depois de encontrá-lo e tentar reatar uma amizade antiga, notar que seu amigo cresceu e tornou-se um panaca que fala besteira o tempo todo e ainda por cima gosta de recitar as letras das músicas da “jovem guarda”. O pior é ter que passar o dia com ele, isso sim é programa de dar raiva. Mas existe coisa pior, como um rapaz que foi convidado para passar férias com uma família amiga, passou dez dias apartando tudo que é tipo de briga que um casal pode arrumar. O pior é que além de perder os amigos, foi praticamente expulso da casa como causador das brigas, segundo o casal o astral dele tava influenciando negativamente no convívio diário. Este nunca mais aceitou convite pra nada!

O ruim do programa furado é o fator surpresa, você vai esperando o melhor e ocorre exatamente o contrário. O cidadão depois de vários anos sem tirar férias resolve levar a família pra passar uns dias na praia, quando chega lá não encontra hospedagem, tem de ir pra um camping e alugar uma barraca. O sol tinha ido embora com sua chegada, da hora que ele desceu do carro até a partida não parou de chover por um minuto, e pra completar os três meninos acharam de adoecer (catapora), O homem tava uma pilha de nervos, e quando o guarda do parque veio avisá-lo que seu carro tinha sido roubado, ele não suportou: voltou das férias numa camisa de força. …Leia na íntegra

Rádio Clube de Conquista

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 21 jan 2017

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Por Nando da Costa Lima

Conquista é uma cidade ímpar, nós somos diferentes do resto da Bahia. Isso não quer dizer que somos melhores ou piores, mas nossa gente valoriza nossas artes de uma maneira quase que bairrista. Nossa poesia, nossa música, nossos artistas plásticos, todos criam voltados para a nossa terra. E isto ninguém vai nos tirar, mesmo sendo pouco divulgados. Nós tivemos a sorte de ter uma aliada que é a cara de Conquista e que sempre foi o nosso ponto de apoio, ela sempre prestigiou tudo que se refere à arte aqui na terra do frio. Os seus radialistas tinham liberdade para cultuar nosso jeito de ser. Todo artista conquistense tem o maior respeito por este meio de comunicação que sempre esteve ao nosso lado desde o seu fundador Aurelino… e depois com a visão de Maria Emília, uma apaixonada pelas artes conquistenses. Ela sempre deu espaço pra qualquer manifestação artística e torcia para que desse certo. Talvez por isso a Rádio Clube de Conquista passou a ser parte da cidade, todo conquistense não só tem orgulho dela como também se sente com se fosse parte de sua história. Talvez seja uma das poucas rádios que consegue disputar espaço com a televisão… coisa rara!

Só que de uma hora pra outra ela vem se descaracterizando, vem deixando de ser uma rádio que fala o “dialeto” do planalto da Conquista, sei lá… parece que quer se igualar às rádios que conjugam o mesmo verbo. Isto não é bom, nós amamos nossa Rádio Clube com o sotaque conquistense como era cultuado há décadas. Foram tantos bons radialistas que nem dá pra citar. Estão querendo tirar programas que fazem parte da nossa cultura, como a Resenha Geral, o programa que todo conquistense para pra escutar; o programa de Jânio Arapiranga e Vadinho Barreto voltado para nossos cantadores,cordelistas, repentistas, violeiros, etc. Será que o conquistense vai se adaptar a uma mudança tão radical? Será que eles vão continuar sintonizando a menina dos nossos olhos… Eu como ouvinte me sinto a vontade para dizer: Deixem nossa rádio como sempre foi… Não tirem o jeito conquistense da nossa menina falar “Rádio Clube está no ar” ( e ter alguém pra escutar).

Carrascão nem rima com saudade

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 14 jan 2017

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Por Nando da Costa Lima

Ele foi construído pra ser a sede do “Clube dos 50”, uma área que seria usada só pelos sócios. Quem desenhou a planta foi Elomar. Conquista era bem menor. O “Carrascão” ficava numa das partes mais altas da cidade, o que nos proporcionava uma vista linda. Como clube particular quase que não foi usado, foi aí que Robério Flores comprou as partes dos sócios e transformou aquele lugar numa das casas noturnas mais concorridas do interior da Bahia. Ali foi palco de muitos momentos bonitos de várias gerações conquistenses, uma “festa” que passou a fazer parte de nossa vida… Lá se escutavam os últimos lançamentos das músicas nacionais e internacionais, e na época de férias era o ponto de encontro da rapaziada. Aqui ainda não tinha universidade, e todo jovem que quisesse fazer um curso superior tinha que ir pra Salvador, ou pras universidades mineiras e cariocas. Todos se conheciam e isto tornava o ambiente bem mais agradável, era como se fôssemos uma só família. Eu até hoje não consegui entender como cabia tanta gente naquele espaço tão reduzido, e na época ainda podia fumar em ambientes fechados, a fumaça era tanta que ficava difícil você distinguir as pessoas. Depois de alguns whiskys e cuba-libres ficava quase impossível. Ali foi a sala de início de namoros que hoje já tem até netos. Antes de subirmos a serra nos reuníamos no Candelabro de Marivan ou no Poleiro que ficava na praça Barão do Rio Branco. Quem tinha carro levava quem não tinha e os que sobravam dividiam uma corrida de táxi. Mas ninguém ficava sem assinar o ponto no Carrascão. Roberão era um cara carismático e se dava bem com todos. …Leia na íntegra

Lembrando o Clisté

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 07 jan 2017

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Por Nando da Costa Lima

Existe (ou existiu) o clister, é uma “injeção de um líquido medicamentoso no reto”, mas eu vou falar de “clisté”…

A história busca narrar com fidelidade os fatos de importância que ocorreram no passado. Só que existem fatos sem importância (sócio-político ou econômico) que despertam tanto a curiosidade popular, que acaba virando história. Como esse caso que aconteceu na Bahia há muito tempo, faz tanto tempo que eu tive que inventar 90% da história.

Ainda vigorava a escravidão quando surgiu uma doença que matou muita gente na época, de 10 morriam 10. Havia um tratamento que salvava um ou outro raramente, mas era o único medicamento conhecido. Como a doença era o necrosamento do reto, o doente era colocado de bunda pra cima enquanto o médico introduzia o clisté (bucha de pano ensopada de pimenta malagueta). Quando o paciente não morria de dor, escapava sem as pregas. Ao saber desse tratamento, o vice-rei deixou um decreto no qual proibia qualquer cidadão de lhe aplicar o clisté caso ele contraísse a doença, sob pena de morte. Aquilo não era tratamento pra ser aplicado num nobre português. Mas como o destino gosta de brincar, pouco tempo depois de baixado o decreto o vice-rei contraiu a doença. Ficou muito difícil arranjar um voluntário pra aplicar o tratamento, ninguém queria morrer só por tentar salvar uma vida. Se ele quis assim, que assim seja. …Leia na íntegra

Feliz Ano Novo (Cordel)

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 30 dez 2016

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Por Nando da Costa Lima

Esse ano que passou
Parece que nem acabou
Foi tanta perturbação!
O Congresso começou com a esculhambação

A crise só piorou
Logo depois da eleição
Elegeram uma “presidenta”
Que não tinha condição

Depois que ela saiu
Começou a delação
Ladrão entregando ladrão
Pra escapar do alçapão

Ninguém quer ficar preso
Dedo duro engravatado
É delator premiado
Cumprindo uma missão

Indo pro segundo escalão
Aumenta a esculhambação
Foi tanto “dotô” delatado
Que assustou o povão …Leia na íntegra

Salvo pela bandeira

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 17 dez 2016

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Por Nando da Costa Lima

Naqueles tempos, quando se falava em Bahia, a conversa se resumia à Salvador. O interior era tido pelo pessoal do Sul como pequenos povoados onde a ignorância vigorava. Daí ter sido o interior visitado apenas por aventureiros ou espertalhões que tentavam de uma forma ou de outra enganar o povo, sem saber que apesar da falta de opção para os jovens educarem-se (tinham o magistério como o curso mais elevado), o pouco que lhes era oferecido era de maneira rígida, ou seja, eles tinham noções de física, química, latim , francês, tudo isto ensinado por profissionais que tiveram condições de se formar na capital e exigiam o máximo de cada aluno, formando assim pessoas com um bom nível cultural, talvez até melhor que o da capital.

Foi num interior desses que veio parar o tenente. Quando chegou não foi nem notado, mas assim que se dirigiu pro hotel e apresentou-se como tenente Brasileiro da Silva, uma andarilho em viagem cultural, o gerente não perdeu tempo: enquanto o intelectual tomava banho ele espalhou na cidade que se encontrava hospedado em seu hotel um intelectual recém chegado do Sul, em viagem pelo interior da Bahia, pra enriquecer seus conhecimentos. …Leia na íntegra

Lembranças do frio

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 03 dez 2016

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Por Nando da Costa Lima

NandoA Vitória da Conquista de minha infância tinha tudo bem menos que a de hoje, mas vista com os olhos da inocência, era bem melhor que hoje e dos amanhãs que virão. Não que eu seja conservador, mas é que tem fases na vida que gostaríamos de parar o tempo. E como isto é impossível, temos que nos contentar com as lembranças. A memória deveria guardar só coisas boas, mas infelizmente às vezes ela em lugar de ajudar, nos maltrata, como a lembrança dos amigos que não tiveram tempo de amadurecer: morreram antes de sentir este brinquedo chamado vida, um brinquedo bem diferente daquele que ganhávamos. Não é como uma bola, um carrinho, um peão. O brinquedo do adulto é a luta pela sobrevivência, um verdadeiro jogo onde as cartas geralmente vêm marcadas.

Mas como ia dizendo, o frio me fez ver as coisas como se ainda fosse ontem, os matinês de domingo no “Cine Conquista”, onde você tinha que chegar bem antes do horário pra sentar numa cadeira e segurar outra pra vender. Do lado de fora você trocava revistas, comprava ou vendia quadros de Tarzan ou qualquer outro personagem que chamasse a atenção. Na saída você ia direto pro “Bar Lindoya” chupar um picolé de coco, este era tão famoso que tinha até fila pra comprar ficha. Se o dinheiro desse, subia pro “Jardim das Borboletas” pra brincar e comer acarajé. Na época tinha até um minijardim zoológico, fedorento que só ele, mas achávamos tão bonito que nem dava pra sentir. Havia também a cidade dos pássaros e uma coisa que eu só vim entender depois de adulto: o “rinque de patinação”. Ficava em volta à frente luminosa e acho que ninguém nunca patinou ali. Naquele tempo 90% da cidade não sabia o que era um patim, imagina um “rinque”.

Depois deste ritual de domingo voltava pra casa sem dinheiro, sujo, cansado, mas com aquela alegria que só as crianças conseguem sentir. O tempo vai passando e os meninos que detestavam brincar com meninas passaram a desejá-las como companhia constante. Mas tudo na maior pureza, o namoro de piscar o olho, depois pegar na mão, mais adiante um beijo no rosto, nunca passava disso. E a paixão era tanta como se fossem verdadeiros amantes. Na adolescência nossa maior diversão era paquerar na Alameda Ramiro Santos. De segunda à sexta, quando o sol começava a se esconder, todo jovem na faixa dos 14 aos 20 anos vestia as roupas bonitas, sapato motinha e descia e subia a alameda no mínimo 100 vezes por dia, creio que dali surgiram vários casamentos. Aos sábados ou domingos à noite, depois de roçar nas namoradas dançando nas festinhas, todo mundo assinava o ponto na “mamoneira”: era o brega mais próximo, daí ser tão frequentado (quase ninguém tinha carro).

Hoje, Conquista é o polo econômico de uma região, ninguém precisa sair daqui pra quase nada. Se ontem ninguém conseguia deixá-la, imaginem hoje. Apesar de só termos como atrativos turísticos o “Museu de Cajaiba” (que por sinal está precisando de um trato) e o “Cristo de Mario Cravo”, pra nós conquistenses bairristas, não existe lugar melhor no mundo que nossa cidade. Pode não ser das mais bonitas, mas nos dá prazer de morar nesse lugar mágico cujos acontecimentos e moradores lembram um filme de Fellini. O conquistense pode sair pro Rio de Janeiro, Paris, Nova Iorque, Londres, ele pode sentir-se bem em qualquer um desses belos lugares, mas um dia a saudade bate, ele volta e ainda lamenta o tempo em que ficou fora. Perdeu o dia que o Magazine Aracy pagou um ciclista pra ficar uma semana pedalando em volta da fonte luminosa do Jardim das Borboletas… “Cê” lembra??? O sacana não parava nem pra mijar.

Lamento do peão de vaquejada (Cordel)

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 26 nov 2016

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Por Nando da Costa Lima

vaquejada-bxQuem dera eu fosse um guerreiro
pra proteger os vaqueiros
desse mundo engravatado
que persegue a tradição

E o peão
triste e desamparado
tira o arreio do seu cavalo Vento
seu parceiro dos bons tempos
e se perde em pensamentos…
E acordado sonhou com a vida
de virar mundo e andar nas vaquejadas
O que fazer se lhe podarem o destino
determinado desde pequenino
de correr boi e ser sempre o primeiro
pra em Serrinha não ser o derradeiro
Hoje já homem
lamenta a triste sina
de ter nascido para ser vaqueiro
Nasceu praquilo
e nada mais importa
Se proibirem ele de correr
vão lhe enterrar antes de morrer

E o vaqueiro vira mais um copo
quase chorando fala pra garrafa:
Sei que os “dotô” gostam de correr
mas se proibirem vão ter o que fazer
só vão sentir… Podem até sofrer!..
Comigo não,
a coisa é diferente
Sem boi na faixa
o pão fica difícil
de que maneira vou sobreviver???
Virgem Maria,
vem me proteger

Vaquejada é paixão

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Publicado por Editor | Colocado em Brasil, Vit. da Conquista | Data: 19 nov 2016

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Por Nando da Costa Lima

Foto: Blog Agravo

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Vou galopar meu cavalo, vou botar um boi na faixa, vou manter a tradição do tempo de apartação. Ou será que é o contrário? Vou pendurar minha sela, vou deixar de ser peão, e triste e desesperado disparar na multidão.

Tanta coisa embaralhada que implicar com vaquejada parece até gozação. É tanta coisa pra ser consertada, tanta barbaridade melecando este nosso país. Saúde, educação, desemprego… Estatisticamente, estamos entre os maiores matadores do planeta, é tiro que não acaba mais. Nossa querida Conquista (segundo pesquisas) é a 36º mais violenta do mundo, uma afirmativa que nos deixa sem entender, eu acho que quem fez esse cálculo baseou-se numa Conquista imaginária… Mas não, infelizmente é a realidade. Nossa cidade não é um mar de rosas, mas estar entre as primeiras nos entristece. …Leia na íntegra

O amuleto da sorte

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Publicado por Editor | Colocado em Geral | Data: 12 nov 2016

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Por Nando da Costa Lima

NandoNa casa de Simplício as coisas iam de mal a pior, o azar tinha feito moradia ali, a situação era deprimente, parecia trabalho feito. Apesar dele não ser supersticioso, apostava como aquele azar tinha começado depois do aparecimento daquele gato preto em sua casa. Já tinha gasto três rezadores e um pé de arruda, novenas ele fez pra tudo que é santo, até os que Castelo cassou foram homenageados, mas de nada adiantou. O desespero estava estampado na cara de Simplício. Também pudera: a filha, aquela galinha safada, fugiu com uma banda, e não é banda de rock que só tem seis componentes; a banda com que ela fugiu é daquelas que toca em coreto, é difícil uma com menos de 20 músicos. O filho abandonou a cidade pra ser “guru” numa comunidade. A sogra invocou que a única maneira de rejuvenescer era através do contato direto com a juventude: os meninos faziam filha pra transar com a velha assanhada, era uma média de 20 por dia. A esposa piorou de tudo, era o dia todo meditando em frente a uma imagem de Buda. …Leia na íntegra

Saindo da linha

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 05 nov 2016

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NandoPor Nando da Costa Lima

Seu sonho era ser maquinista, mas por acidente do destino acabou virando governador. Mesmo com o mais alto cargo do estado, não deixava de alimentar o velho sonho. Até o bigode lembrava um maquinista de “Maria Fumaça”. Gostava tanto de trem de ferro que, quando se viu com o poder nas mãos, botou na cabeça a ideia de construir uma ferrovia que ligasse seu estado aos Estados Unidos. Segundo ele, só assim pra acabar com a miséria dos conterrâneos. Os assessores, ao saberem de tal aberração, foram explicar ao governador que ao realizar esta obra, além de atravessar metade do País, teria que trilhar o resto da América do Sul, a América Central toda (passando pelo canal do Panamá) e atravessar o México, aí então ele alcançaria o destino. O governador chamou todo mundo de ignorante e falou que iria pelo mar, assim não precisava mexer com dirigente de país nenhum (bastava o daqui). Os assessores pensaram que era brincadeira. Mesmo assim, lembraram ao governador que era impossível construir uma ponte cortando metade do Atlântico. …Leia na íntegra

O curió falador

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 22 out 2016

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Por Nando da Costa Lima

NandoOs pássaros, apesar de engaiolados, estavam eufóricos. É que depois de uma reunião muito concorrida, eles decidiram ter um diálogo com o dono. A reunião foi para decidir quem seria o porta-voz do grupo. Depois de muita disputa, ficaram pro segundo turno o belga e o curió. Com a onda de nacionalismo da Nova República, o curió venceu quase que unanimemente, só teve um voto em branco, o do representante dos pardais. Estes, por terem origem chinesa, só votariam num pássaro que fosse vermelho, como não havia nenhum candidato dessa cor, eles optaram pelo voto em branco.

Ficou certo que no dia seguinte ocorreria o dialogo. Tava decidido, ou o dono aceitava as reivindicações dos pássaros ou eles entravam em greve e ninguém cantaria nem comeria até a morte. Na hora que o criador chegou pra dar comida, por coincidência, a primeira gaiola que ele pegou foi a do curió. O passarinho foi direto ao assunto: “Moço, o senhor notou que esta manhã ninguém aqui cantou?”. O homem, apesar de assustado, perguntou: ”Eu tô ficando doido ou você falou comigo?”. …Leia na íntegra

Traído pela TV

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 15 out 2016

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Por Nando da Costa Lima

NandoEra um domingo de verão e o povo da cidade assistia ao tradicional jogo dos casados contra os solteiros. Depois do jogo tinha a feijoada no mercado em homenagem aos ganhadores. Tudo era domingo: a roupa das moças, todas imitando o estilo do principal personagem da novela das oito; as crianças, todas engomadas. Num fim de mundo daqueles, qualquer acontecimento era aproveitado pra usar roupas novas, eram estas as únicas oportunidades que o pessoal mais novo tinha pra se aproximar, e daí surgiam os futuros casamentos. Coisas que nem mesmo a TV conseguia mudar, como: namoro no jardim, matinê no domingo à tarde e futebol amador pela manhã, isto se a cidade tivesse menos de 20 mil habitantes e não fosse ponto turístico.

A praça estava como sempre, de um lado os intelectuais discutiam energicamente: uns achavam que “inteligência vem de berço”, outros rebatiam dizendo que “curtura nós adquire com o tempo”. O padre entrou no meio e explicou que cultura não tinha nada a ver com inteligência. Do outro lado da praça estava o prefeito eleito e sua comitiva, estavam procurando um local apropriado para colocar o busto (de bronze) de Zé Pé de Valsa, cabo eleitoral que morreu em campanha atropelado pelo trio elétrico. …Leia na íntegra

Um pouco de história

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Publicado por Editor | Colocado em Vit. da Conquista | Data: 08 out 2016

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Por Nando da Costa Lima

NandoEsta história quem me contou foi meu pai, que já havia escutado este caso narrado por meu avô. Faz um tempão, já virou história…

Em 1910, quando o marechal Hermes da Fonseca era Presidente da República, houve na Bahia um golpe de Estado, se é que assim podemos chamar, isto fica por conta da sua interpretação. Para mim, foi um golpe de telegrama. O governador baiano não era lá um homem que se pudesse chamar de brilhante, grande estadista ou coisa parecida. Um outro político baiano, Dr. Seabra, ciente da situação resolveu tomar o seu lugar, aproveitando a viagem do seu compadre Manoel Hermes ao RJ (à época, capital federal). Pediu pra que este telefonasse de lá para ele com os seguintes dizeres “Caro Seabra, conto com você para tomada do governo”, e colocasse no prenome só a inicial, o sobrenome colocaria normalmente, ficando assim: M. Hermes, a mesma forma que o Marechal Hermes assinava. …Leia na íntegra